Na reunião que começa nesta terça-feira (29) e prossegue até quarta (30), é estimado por analistas de mercado que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a Selic em 15%. O ciclo de altas da taxa de juros, iniciado em setembro de 2024, se encerraria com essa decisão.

No mercado, a divergência se refere apenas ao momento em que começará o processo de redução dos juros. Segundo os economistas mais otimistas, os cortes devem começar em dezembro; outros acreditam que a taxa só sofrerá reduções no primeiro trimestre de 2026; já os mais pessimistas acham que a Selic permanecerá em 15% até o final do próximo ano.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasi
Copom deve manter Selic em 15% e encerrar ciclo de alta de juros

Justificativas do Banco Central

o Copom elevou, na última reunião realizada em junho, a Selic de 14,75% para 15% ao ano — a sétima alta seguida — patamar que não era registrado desde julho de 2006, no término do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva .

A trajetória dos juros:

Janeiro/2023 – 13,75%

Julho/2024 – 10,5%

Outubro/2024 – 10,75%

Sem anúncio no momento

Janeiro/2025 – 11,75%

Abril/2025 – 10,75%

Julho/2025 – 10,5%

Setembro/2024 – 10,75%

Novembro/2024 – 11,25%

Dezembro/2024 – 12,25%

Janeiro/2025 – 13,25%

Março/2025 – 14,25%

Maio/2025 – 14,75%

Junho/2025 – 15%

O Banco Central justificou, após a última reunião: “A economia ainda apresenta resiliência, o que dificulta a convergência da inflação à meta e requer maior aperto monetário.”

Principal instrumento para controlar a inflação no Brasil, a Selic tem sua taxa ajustada conforme as condições econômicas, com o objetivo do Banco Central de manter a estabilidade dos preços. Espera-se retração no consumo e nos investimentos quando os juros sobem, pois o crédito se torna mais caro, o que leva à desaceleração da economia.

Especialmente devido à ausência de uma política fiscal consistente e ao crescimento dos gastos públicos, o Copom começou a elevar os juros, após o avanço da inflação no Brasil em 2024. Acima do teto da meta, de 4,5%, a inflação anual segue elevada, em 5,35%, mas tem dado sinais de desaceleração nos últimos meses.

Projeções

Conforme divulgado na última segunda-feira (28) pelo Boletim Focus, a taxa de juros projetada é de 12,5% para 2026, 10,5% para 2027 e 10% para 2028.

Em ata, o Copom destacou que o ciclo de altas foi “rápido e firme”, justificando a antecipação do fim dos aumentos para avaliar os efeitos do aperto monetário.

“Grande parte dos impactos da taxa mais contracionista ainda está por vir”, afirmou o comitê na última ata. “Determinada a taxa apropriada de juros, ela deve permanecer em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado, devido às expectativas desancoradas.” O Copom também ressaltou que seguirá atento ao cenário econômico e poderá ajustar a política monetária novamente, se considerar necessário.

Também é estimado pelo C6 Bank que a Selic permaneça em 15% até o fim de 2025. “Acreditamos ser pouco provável que a Selic suba além dos 15%, mas a mensagem do Copom é importante para calibrar as expectativas do mercado para o futuro”, avaliou o banco, destacando que a sinalização de estabilidade nas próximas reuniões não significa, necessariamente, o fim do ciclo de altas.

Segundo o C6 Bank, o recado do Copom, de manter os juros em “patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, indica que a Selic deve ficar estável por cerca de 12 meses.

As próximas reuniões do Copom em 2025 estão agendadas para os dias 29 e 30 de julho, 16 e 17 de setembro, 4 e 5 de novembro, e 9 e 10 de dezembro.