Advogados e familiares da professora aposentada Iraci Megumi Nagoshi, 73 anos, afirmaram que a idosa estaria sendo submetida a um tratamento considerado “alarmante de desumanidade e violação de direitos fundamentais” na prisão. Condenada por participar dos atos de 8 de janeiro, ela cumpria prisão domiciliar até 23 de julho, quando, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes , foi transferida novamente para a Penitenciária Feminina de Sant’Anna, em São Paulo.
O filho da aposentada, Newton Nagoshi, relatou que o advogado Jayson França visitou a professora no último dia 30 e a encontrou em condições precárias. “Nosso advogado a visitou na penitenciária e verificou que ela estava em estado lastimável, dividindo cela com outras cinco presas e dormindo no chão”, afirmou.
A defesa destacou ainda que Iraci se recupera de uma cirurgia na perna e está com o braço engessado devido a um deslocamento no cotovelo. “Isso reduziu drasticamente sua mobilidade e causa dores intensas”, disse França, acrescentando que a cliente perdeu uma consulta médica marcada para 24 de julho por conta do retorno ao regime fechado.
Segundo Newton, a mãe apresentou um quadro de gripe dentro do presídio, mas não teria recebido atendimento médico ou medicamentos. Ele afirmou temer que a situação evoluísse para pneumonia e chegou a dizer que receava que ela “falecesse no presídio”.
Em comunicado à imprensa na última semana, a defesa afirmou que “a inação do ministro Alexandre de Moraes e da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) diante desta emergência médica é inaceitável e coloca a vida da Sra. Nagoshi em risco iminente”.
Procurada pela Gazeta do Povo , a SAP negou as denúncias de maus-tratos e informou, em nota, que a detenta está recebendo “toda a assistência, em cela individual, com cama, colchão, lençol, cobertor e itens de higiene pessoal, conforme as normativas vigentes”. A secretaria também disse que a consulta médica está agendada para 15 de agosto.
Neste domingo (10), familiares informaram que Iraci já recebeu atendimento para tratar o quadro de gripe e apresenta melhora. A defesa comunicou ainda que apresentou um novo pedido de prisão domiciliar e aguarda a decisão do ministro.