O ministro da Fazenda, Fernando Haddad , criticou neste sábado (23) a postura do governo dos Estados Unidos, classificando-a como uma “atitude hostil” contra o Brasil. Segundo ele, a decisão estaria sendo influenciada por grupos da direita brasileira que, em vez de defender o país, buscam proteger pessoas acusadas de envolvimento em atos golpistas. As declarações ocorreram durante uma conferência do PT, que contou também com a presença do vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin .

Haddad afirmou que as negociações comerciais com os Estados Unidos caminhavam de forma positiva até a imposição do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros. Para o ministro, o endurecimento da política norte-americana não tem relação com questões econômicas, mas com interesses políticos voltados à reabilitação da extrema-direita no Brasil. “Não podemos abrir mão da nossa soberania e da independência dos Poderes”, reforçou.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Fernando Haddad, ministro da Fazenda

As tensões aumentaram após o cancelamento de um encontro entre Haddad e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que dias depois foi visto em uma foto com o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o jornalista Paulo Figueiredo. Alckmin também relatou dificuldades para avançar nas negociações, afirmando que não tem conseguido contato direto com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, e que as conversas seguem apenas em nível técnico.

O cenário político se agravou nesta semana após a Polícia Federal indiciar Jair Bolsonaro e o filho Eduardo por supostamente articular sanções internacionais contra o Brasil, como forma de pressionar o Supremo Tribunal Federal. A medida levou o ministro Alexandre de Moraes a cobrar explicações da defesa do ex-presidente e a enviar o caso à Procuradoria-Geral da República, que deve se pronunciar até segunda-feira (25) sobre a manutenção da prisão domiciliar ou a conversão em preventiva antes do julgamento previsto para 2 de setembro