A oposição se prepara para intensificar a pressão sobre o Governo Lula na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o escândalo bilionário de fraudes no INSS. A partir desta semana, deputados e senadores começam a votar mais de 800 requerimentos apresentados ao colegiado, que incluem convocações de autoridades, pedidos de quebras de sigilo e requisições de informações a diferentes órgãos públicos.
Um dos principais alvos da comissão é José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Ele preside o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), apontado por investigadores como um dos núcleos centrais do esquema. Frei Chico já figura em pelo menos oito requerimentos, seis deles pedindo sua convocação obrigatória. Um desses pedidos foi protocolado pelo próprio relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
Outro nome que deve ser chamado a depor é Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Sócio de 22 empresas, ele teria utilizado parte delas no suposto esquema de desvios. Seu nome aparece em pelo menos 12 requerimentos de convocação.
A lista de alvos da oposição inclui também integrantes do governo Lula. Os ministros Wolney Queiroz (Previdência), Ricardo Lewandowski (Justiça), Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) e Vinícius Marques de Carvalho (Controladoria-Geral da União) estão entre os que podem ser chamados a prestar esclarecimentos.
O ex-ministro da Previdência Carlos Lupi é o nome mais mencionado até o momento. Ele responde a 15 requerimentos — 11 para convocação e quatro para quebra de sigilo. Lupi deixou o cargo após a revelação das irregularidades e já deve aparecer na pauta da primeira reunião de votação da CPMI.