O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liberou mais de R$ 200 milhões em emendas parlamentares para deputados e senadores que integram a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A liberação ocorreu no mesmo mês em que a comissão foi instalada no Congresso para investigar fraudes e descontos indevidos contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social.
Na primeira reunião da CPMI, a oposição conquistou a presidência e a relatoria, na sessão seguinte, realizada na terça-feira (26), parlamentares governistas compareceram em peso como forma de reorganizar a base e mostrar maior presença nos trabalhos. Entre os que participaram estavam o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) e o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social.
Durante a reunião, aliados de Lula defenderam que as investigações sejam conduzidas com equilíbrio, diante das suspeitas de irregularidades no INSS. Nos bastidores, líderes governistas admitiram que a mobilização foi resultado de uma cobrança direta do Planalto, preocupado com novas derrotas políticas no colegiado.
O relator da comissão, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que ainda não é o momento adequado para discutir a convocação de Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical. Segundo ele, a prioridade inicial é ouvir ex-ministros da Previdência e ex-presidentes do INSS, com o objetivo de traçar um panorama histórico e compreender o funcionamento das fraudes.
Gaspar explicou que o plano de trabalho da CPMI está dividido em seis eixos, que incluem desde a análise do modus operandi das organizações criminosas até o rastreamento dos recursos desviados e a formulação de medidas legislativas de prevenção.