O presidente colombiano Gustavo Petro criticou publicamente nesse sábado (27) a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar seu visto de entrada no país. Segundo Petro, a medida representa uma violação do direito internacional por parte de Washington.
A revogação foi anunciada na sexta-feira (26) e aconteceu depois que o presidente participou de um protesto pró-Palestina em Nova York, em frente à sede da ONU. Durante o ato, Petro pediu aos soldados norte-americanos que desobedecessem ordens do presidente Donald Trump e defendeu a criação de uma força armada internacional dedicada à libertação dos palestinos, ressaltando que “essa força tem que ser maior que a dos Estados Unidos”.
Em suas redes sociais, Petro afirmou que a revogação do visto não altera sua liberdade de circulação. “Não tenho mais visto para viajar para os Estados Unidos. Não preciso de visto… porque não sou apenas um cidadão colombiano, mas um cidadão europeu, e me considero uma pessoa livre no mundo”, escreveu. O presidente também disse que a decisão de Washington demonstra que os EUA não respeitam mais o direito internacional.
O episódio não é inédito para líderes colombianos. Em 1996, o então presidente Ernesto Samper teve o visto cancelado devido a denúncias de financiamento ilícito do cartel de Cali em sua campanha eleitoral. Atualmente, as relações entre Colômbia e EUA têm enfrentado tensões desde a volta de Trump à presidência, incluindo interrupções de voos de deportação e o retorno de embaixadores em julho, após Petro acusar Washington de planejar um golpe, alegação considerada infundada pelos EUA.
Além disso, Petro também tem histórico de decisões diplomáticas polêmicas: em 2024, rompeu relações com Israel e suspendeu as exportações de carvão colombiano para o país.