O vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro , reagiu nesta quinta-feira (15) à transferência do pai para a ala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecida como Papudinha, em Brasília. A mudança foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em publicação nas redes sociais, Carlos classificou a decisão como uma “maldade praticada contra o último presidente do Brasil que jamais descumpriu uma linha da Constituição”, estendendo as críticas também ao tratamento dado aos presos dos atos de 8 de janeiro de 2023.
Segundo ele, aliados do Partido dos Trabalhadores teriam praticado crimes mais graves sem sofrer punições, enquanto Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão, estaria sendo alvo de perseguição política. O vereador enumerou os crimes pelos quais o ex-presidente foi condenado e apresentou justificativas para contestar cada um deles.
Entre os pontos levantados, Carlos Bolsonaro argumentou que o pai não poderia ser responsabilizado por destruição de patrimônio público e de bens tombados, uma vez que estava em Orlando, nos Estados Unidos, no dia 8 de janeiro. Ele também negou a existência de organização criminosa armada, alegando que nenhuma arma foi apreendida durante os atos, e afirmou que não houve golpe de Estado ou abolição violenta do Estado Democrático de Direito, sustentando que não existiram atos executórios nem liderança direta de Jair Bolsonaro.
“O que se observa é uma perseguição política escancarada, incompatível com o Estado de Direito”, afirmou o vereador, ao classificar as condenações como injustas.
Carlos Bolsonaro também destacou o estado de saúde do ex-presidente, citando uma série de doenças e comorbidades, como refluxo gastroesofágico, hipertensão, doença cardíaca aterosclerótica, estenose de carótidas, apneia do sono, labirintite agravada e câncer de pele, além de episódios frequentes de vômitos e necessidade de uso contínuo de medicamentos.
Para o parlamentar, a transferência para um ambiente prisional mais severo, somada às condições clínicas do ex-presidente, representa mais do que o cumprimento de uma decisão judicial. “Transforma-se em um marco simbólico de confronto institucional, cujo impacto ultrapassa a figura de Jair Bolsonaro e alcança o próprio conceito de justiça e proporcionalidade no Brasil”, afirmou.
Transferência
Jair Bolsonaro foi transferido da Superintendência da Polícia Federal em Brasília para a Papudinha, onde também estão presos o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques. De acordo com a determinação do STF, o ex-presidente cumprirá pena privativa de liberdade no local, permanecendo, no entanto, em cela separada.