O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera insustentável a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria do inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal. A aliados, o chefe do Executivo afirmou que a decisão do magistrado de continuar à frente do caso tem ampliado o desgaste político e provocado impactos negativos para o governo.

A contrariedade do presidente aumentou após a Polícia Federal indicar ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspeição de Toffoli, depois de menções ao ministro terem sido encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do banco investigado.

Foto: Gustavo Moreno/STF
Presidente Lula

Durante almoço realizado em dezembro, com a presença do ministro da Fazenda Fernando Haddad, Toffoli teria afirmado que não abriria mão da relatoria e mencionou a possibilidade de o caso virar uma “Lava Jato 2” caso fosse remetido à primeira instância. Segundo interlocutores, Lula reagiu com irritação e reiterou que todos os envolvidos deveriam se defender fora do STF.

Para o presidente, o escândalo pode prejudicar o governo em ano eleitoral. Monitoramentos do Palácio do Planalto apontam avaliações nas redes sociais de que o ministro estaria tentando “abafar” a crise e proteger interesses próprios e do Partido dos Trabalhadores (PT). Toffoli, por sua vez, acusa a Polícia Federal de conduzir investigações clandestinas e promover vazamentos com informações distorcidas. Aliados do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, dizem que ele não confrontaria o ministro sem aval político.

Diante da repercussão, parlamentares petistas convocaram reunião com o ministro da Casa Civil Rui Costa e o líder do governo no Senado Jaques Wagner. Ambos negaram irregularidades em contatos com empresários citados na investigação. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, afirmou que a análise de documentos não apontou problemas.

Lula ainda avalia se terá nova conversa com Toffoli após o carnaval. O caso chegou ao STF depois de o ministro assumir a relatoria ao atender pedido da defesa de Vorcaro, relacionado à apreensão de documentos de uma negociação imobiliária com o deputado João Carlos Bacelar.

Sem anúncio no momento

Ao STF, Toffoli negou relações pessoais com Vorcaro e disse não ter recebido recursos do banqueiro. O ministro admite ser sócio da empresa Maridt, que já teve participação no resort Resort Tayayá e posteriormente vendeu sua fatia a fundos controlados pelo empresário Fabiano Zettel. Segundo ele, todas as transações foram declaradas à Receita Federal e a empresa é administrada por familiares.