Há mais de 27 anos, Maria Aparecida luta contra uma infecção fúngica grave no pé direito. Devido ao estado de saúde, ela não consegue andar nem trabalhar. Em meio a um quadro que se agrava a cada dia, a mulher, de 52 anos, já espera há mais de 400 dias na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para uma consulta e amputação com urgência.
Ela mora em Águas Lindas de Goiás e teria adquirido a infecção fúngica, conhecida como micetoma eumicótico, enquanto morava na zona rural de Alexânia (GO) no ano de 1996, por meio de uma pequena ferida no pé. Especialistas afirmam que esse tipo de fungo atinge principalmente os trabalhadores rurais, que mantêm contato com solos contaminados.
Denise Dutra, filha de Maria Aparecida, afirmou ao Metrópoles que o primeiro sintoma da infecção foi o surgimento de um “caroço” pequeno, que, ao passar do tempo e sem o devido diagnóstico, foi crescendo e inchando, chegando ao ponto de os remédios antifúngicos não fazerem mais efeito.
No decorrer dos anos, a mulher procurou atendimento tanto no sistema de saúde de Goiás quanto no do Distrito Federal, e atualmente faz acompanhamento no Hospital Universitário de Brasília (HUB). Pelo fato de a infecção já ter atingido o sistema ósseo, Maria agora espera pela amputação do pé, para evitar que ela se propague para a corrente sanguínea, podendo levar até à morte.
Entretanto, ela está no 31º lugar de espera para uma consulta e cirurgia no SUS, após uma espera de 405 dias.
A Secretaria de Saúde informou que as consultas, exames e cirurgias são reguladas seguindo a classificação de risco e a entrada da solicitação no sistema. Já o Hospital Universitário de Brasília (HUB) afirmou que não possui especialidade na cirurgia indicada para a paciente, e por isso ela foi encaminhada para a rede pública de saúde do DF.