Em entrevista ao Jornal da Oeste nesta sexta-feira (6), o advogado Fabio Pagnozzi afirmou que a definição sobre o futuro da ex-deputada Carla Zambelli pode ficar nas mãos do governo da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni. De acordo com ele, a legislação do país concede ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, a autoridade para decidir sobre a extradição sem a obrigação de apresentar justificativa formal.
Segundo Pagnozzi, mesmo que exista um trâmite judicial, Nordio pode optar por autorizar a extradição de forma direta. O advogado ressaltou, porém, que há a possibilidade de uma decisão favorável à ex-parlamentar, uma vez que o ministro é aliado político de Meloni.
O caso volta a ser analisado na próxima terça-feira (10), quando está prevista uma nova audiência no tribunal italiano. O julgamento havia sido interrompido após a defesa de Zambelli protocolar um pedido de substituição dos magistrados responsáveis pelo processo.
Com o recurso, a tramitação ficou suspensa, adiando por tempo indeterminado a análise do pedido de extradição. Na próxima sessão, o colegiado deverá decidir se aceita ou rejeita a contestação apresentada pela defesa. Somente após essa definição o processo poderá avançar.
Pagnozzi também afirmou que os juízes já teriam formado entendimento desfavorável à ex-deputada desde o início do caso. Para ele, houve tratamento desigual na avaliação dos documentos apresentados pelas partes.
De acordo com o advogado, pedidos da defesa para inclusão de documentos eram recusados sob a justificativa de falta de relevância, enquanto solicitações semelhantes feitas pela Advocacia-Geral da União (AGU) eram aceitas pelo tribunal.