Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para o filho, Fábio Luís Lula da Silva , conhecido como Lulinha, e voltou a solicitar que ele apresente esclarecimentos sobre qualquer eventual relação com nomes investigados nas fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O contato ocorreu na última terça (03), poucos dias após a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (CPMI do INSS) determinar a quebra de sigilos do empresário. As informações foram divulgadas nessa segunda-feira (09) pelo jornal Folha de S.Paulo .

De acordo com relatos de pessoas que acompanham o assunto, que falam sem se identificar, essa foi a segunda conversa entre pai e filho desde que o caso passou a ganhar repercussão nas investigações conduzidas no Congresso. Essas fontes, ouvidas pela imprensa, afirmam ainda que Lula teria aconselhado o filho a “assumir para si” a responsabilidade por eventuais explicações relacionadas ao episódio.

Foto: Reprodução
Lulinha, filho do presidente Lula

No Palácio do Planalto, a orientação é impedir que o caso atinja diretamente o presidente e prejudique sua candidatura à reeleição. Entre aliados do governo, há a avaliação de que o tema deverá ser explorado pela oposição durante a campanha eleitoral. Por esse motivo, acredita-se que, quanto mais rápido Lulinha apresentar esclarecimentos, menor será o desgaste político.

Conforme interlocutores do governo, citados pelo jornal, a estratégia consiste em reduzir o espaço para que adversários transformem o episódio em instrumento de ataque político nos próximos meses. Após a primeira conversa entre os dois, Lula chegou a declarar publicamente que o filho arcaria com as consequências caso tivesse cometido alguma irregularidade.

Em ocasiões anteriores, o presidente também já havia afirmado que Lulinha não seria protegido caso surgisse qualquer comprovação de envolvimento em irregularidades. O nome de Fábio Luís Lula da Silva aparece nas investigações relacionadas às fraudes no INSS, embora ele não figure formalmente como investigado no inquérito.

A suspeita envolve uma possível ligação com o empresário e lobista Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais personagens do esquema investigado. As apurações analisam hipóteses como o recebimento, por parte de Lulinha, de mesadas pagas por Careca do INSS, além de uma viagem à Europa que teria sido totalmente custeada pelo operador da fraude bilionária contra aposentados e pensionistas.

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