A Polícia Federal prendeu, na manhã desta terça-feira (10), quatro integrantes da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro suspeitos de extorquir traficantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho. As prisões ocorreram durante a segunda fase da Operação Anomalia, que investiga um esquema de corrupção policial associado ao tráfico de drogas no estado.

Segundo as primeiras informações, foram presos três agentes e um delegado da Polícia Civil. Eles se somam a outros investigados detidos na primeira fase da operação, deflagrada na véspera, entre eles um delegado da Polícia Federal e um ex-secretário de Estado.

Foto: Alef Leão/GP1
Viatura da Polícia Federal

De acordo com a PF, o grupo é suspeito de utilizar a estrutura do Estado para extorquir integrantes da facção criminosa, além de praticar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

A operação também cumpre três mandados de busca e apreensão e determina medidas cautelares contra os investigados, como o afastamento imediato das funções públicas, a suspensão de atividades empresariais de empresas utilizadas no esquema e o bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos ligados aos alvos.

As investigações também apontam ligação do caso com o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. Segundo a PF, ele teria relação com o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como “TH Joias”, suspeito de ligação com o Comando Vermelho.

TH Joias foi preso no ano passado suspeito de envolvimento em crimes como venda de armas, lavagem de dinheiro e corrupção. A investigação aponta que um dos delegados presos nesta fase teria vazado informações sobre operações sigilosas da Polícia Federal para Bacellar e para o ex-deputado.

Sem anúncio no momento

Segundo a PF, o esquema também envolveria advogados, um ex-secretário de Estado e outros servidores públicos.

Ainda conforme as investigações, Bacellar teria alertado TH Joias na véspera de uma operação policial. Após o aviso, o ex-deputado teria apagado conversas do celular, trocado de aparelho e retirado objetos de sua residência.

Os agentes também recuperaram um vídeo em que TH Joias mostra objetos que pretendia deixar em um imóvel e pergunta a Bacellar se poderia manter um freezer no local. No relatório da PF, consta que o presidente da Alerj respondeu chamando o ex-deputado de “doido” e afirmando que ele não deveria se preocupar com o eletrodoméstico.