A divulgação de informações sigilosas a respeito da investigação contra o banqueiro Daniel Vorcaro foi informada à Procuradoria-Geral da República (PGR) desde novembro de 2025, logo após a apreensão de seu celular.

Conforme informou a Polícia Federal, os vazamentos estariam ocorrendo desde julho de 2025. A informação já havia sido apresentada à PGR ainda na primeira fase da Operação Compliance Zero, quando Daniel Vorcaro foi preso.

Foto: Reprodução/ Redes Sociais
Daniel Vorcaro

No dia 24 de julho, os investigadores identificaram o envio de mensagens de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, para o banqueiro Daniel Vorcaro, com documentos em PDF a respeito do inquérito judicial em andamento. Vorcaro também teria tido acesso a informações sobre a apuração do Banco Central do Brasil sobre o Banco Master desde julho.

Segundo investigadores, havia suspeitas de invasão de sistemas da polícia, que foram confirmadas após a apreensão do celular de Vorcaro. Capturas de tela (prints), fotos e diversos arquivos em PDF, extraídos de materiais sigilosos, foram encontrados.

Vorcaro só foi preso em 17 de novembro, ao tentar fugir do país pelo Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos. Segundo a Polícia Federal, já havia suspeita de fuga do banqueiro; contudo, ele alegou que a viagem tinha como propósito negociar a venda do Banco Master a possíveis investidores estrangeiros.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) não se pronunciou a respeito do conhecimento dos vazamentos pelo órgão desde 2025. Já os advogados de Vorcaro informaram que “não cabe comentar conteúdos que decorrem de vazamentos ilegais de material sigiloso”.

Sem anúncio no momento

O banqueiro foi preso novamente em 04 de março. O conjunto de indícios de uma estrutura privada de vigilância e intimidação, que tinha como objetivo obter ilegalmente dados restritos e coagir críticos, serviu de base para o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), determinar as últimas prisões preventivas.

O órgão havia argumentado anteriormente que teve pouco tempo para analisar o pedido de prisão de Vorcaro; contudo, a divulgação de que a PGR tinha conhecimento dos vazamentos desde 2025 enfraqueceu esse argumento.