Nesta quinta-feira (19) a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a Operação Resina Oculta e desarticulou um esquema financeiro usado para lavar dinheiro do narcotráfico. A ação revelou uma engrenagem criminosa que utilizava plataformas de apostas on-line e empresas de fachada para dar aparência legal a valores obtidos com a venda de drogas na capital federal.
Ao todo, foram cumpridos 121 mandados judiciais em quatro unidades da federação, sendo elas o Distrito Federal, Goiás, Maranhão e Amazonas. O balanço inicial aponta a prisão de dez suspeitos, incluindo detenções por mandados judiciais e flagrantes por posse ilegal de armas.
A ação policial também resultou no bloqueio de contas bancárias de 50 empresas investigadas, com limite de até R$ 15 milhões por CNPJ, além da apreensão de sete veículos de luxo. Segundo as investigações, os criminosos atuavam como um centro de distribuição de entorpecentes para diversas regiões administrativas do Distrito Federal e cidades do entorno.
O grupo movimentava valores milionários que vinham do tráfico e eram enviados principalmente para a Região Norte, com destaque para a cidade de Manaus, considerada estratégica na redistribuição e ocultação dos recursos ilícitos.
Foram identificados ainda cerca de 20 empresas fictícias sediadas em São Luís que eram utilizadas para pulverizar o dinheiro e dificultar o rastreamento pelas autoridades. Em Goiânia, o esquema recorria ao uso de “laranjas”, incluindo um jovem de 19 anos, que figurava como titular de empresas com movimentações incompatíveis com sua renda, numa tentativa de afastar os líderes da organização do fluxo financeiro.
Outro ponto central do esquema era a utilização de aproximadamente 15 plataformas de apostas virtuais, conhecidas como “bets”, muitas delas operando de forma irregular. Por meio dessas plataformas, os criminosos conseguiam inserir o dinheiro do tráfico no sistema financeiro sob a aparência de ganhos lícitos.
As investigações tiveram início em outubro de 2025, após a apreensão de quase 50 quilos de haxixe e skunk em um imóvel no Riacho Fundo. Com isso a Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) conseguiu identificar não apenas os responsáveis pelo armazenamento das drogas, mas também os operadores financeiros do grupo.