A Operação Resina Oculta, deflagrada nesta quinta-feira (19) pela Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), colocou no centro das investigações a empresária e influenciadora amazonense Mirian Mônica da Silva Viana, conhecida como “Cavalona do Pó”.

Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), ela é suspeita de integrar um sofisticado esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, utilizando empresas e plataformas clandestinas de apostas para ocultar recursos ilícitos.

Foto: Reprodução/ Redes sociais
Influencer Mirian Mônica, conhecida como “Cavalona do Pó”

Com mais de 50 mil seguidores nas redes sociais, Mirian exibia uma rotina marcada por luxo e ostentação. Nas publicações ela aparecia em viagens internacionais, hospedagens de alto padrão e passeios exclusivos, incluindo lanchas e resorts à beira-mar com diárias que podem ultrapassar milhares de reais. A influenciadora também chamava atenção pelo uso de roupas de grife e pela aparência física associada a procedimentos estéticos de alto custo.

Para os investigadores, o estilo de vida divulgado nas redes sociais contrastava com a renda formal declarada, levantando suspeitas de que o conteúdo funcionava como vitrine para legitimar valores provenientes do tráfico. A apuração aponta que empresas de fachada, “laranjas” e bets ilegais eram utilizadas para dar aparência lícita ao dinheiro obtido com a venda de drogas como haxixe, skunk e cocaína.

As investigações também revelaram que uma loja de calçados ligada à influenciadora recebeu, ao longo de 2025, valores oriundos de diversos traficantes do Distrito Federal. A existência de um perfil secundário nas redes sociais, destinado à divulgação do negócio, reforça a suspeita de tentativa de disfarçar a origem dos recursos.

O esquema incluía também remessas milionárias enviadas para a região Norte, especialmente para cidades estratégicas próximas a áreas de fronteira, utilizadas como polos de redistribuição financeira. Ao todo, a operação cumpriu 41 mandados de busca e apreensão e nove de prisão, além de determinar o bloqueio de contas de 50 empresas e 12 pessoas físicas, com limite de até R$ 15 milhões por alvo. Também houve o sequestro de veículos de luxo.

Sem anúncio no momento

Mirian teve a prisão temporária decretada, posteriormente convertida em domiciliar no dia 13 de março de 2026. A Operação Resina Oculta teve início após a apreensão de drogas em outubro de 2025 e segue em andamento, com a polícia não descartando novas fases para desarticular completamente a organização criminosa.