O rapper Oruam , nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, passou a responder ao processo à revelia na Justiça do Rio de Janeiro após permanecer foragido por mais de um mês. Ele é réu por tentativa de homicídio qualificado contra um delegado da Polícia Civil. A decisão foi tomada há uma semana, depois que o artista não compareceu à audiência marcada para 23 de fevereiro, e ocorre no âmbito da 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. A magistrada Tula Corrêa de Mello já havia decretado a prisão preventiva no início do mês, e a próxima audiência está prevista para o fim de março.
Na decisão, a juíza registrou que o acusado não compareceu ao ato processual nem apresentou endereço para intimação. Oruam responde por tentativa de homicídio qualificado contra o delegado Moyses Santana Gomes e o oficial Alexandre Alves Ferraz, ambos da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, durante operação policial em sua residência para cumprimento de mandado de busca e apreensão de um menor, ele teria arremessado pedras de grande peso e volume contra os agentes.
A defesa do rapper pediu prisão domiciliar humanitária, alegando que ele possui comorbidades pulmonares, sem detalhar quais seriam. Os advogados também afirmaram que não houve desligamento intencional da tornozeleira eletrônica, argumento que fundamentou a decretação da prisão preventiva. Em fevereiro, o Superior Tribunal de Justiça revogou habeas corpus concedido ao artista por considerar que houve desrespeito reiterado à medida cautelar de monitoramento eletrônico. De acordo com o tribunal, o equipamento teria sido desligado 28 vezes em 45 dias, enquanto a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio informou 66 violações desde novembro do ano passado.
O histórico judicial de Oruam inclui prisão preventiva em julho de 2025 por acusações de tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, ameaça e tentativa de homicídio contra policiais. Ele permaneceu mais de 60 dias detido no Complexo de Gericinó, em Bangu, e obteve liberdade condicional em setembro do mesmo ano. Na ocasião, o STJ substituiu a prisão por medidas como uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e comparecimento periódico à Justiça.
Oruam é filho de Marcinho VP, apontado pelo Ministério Público como uma das principais lideranças da facção Comando Vermelho. O cantor ganhou projeção nacional em março de 2024, quando, durante apresentação no Lollapalooza Brasil, em São Paulo, pediu publicamente a soltura do pai, que cumpre pena por crimes como homicídio e formação de quadrilha.