Dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro , proprietário do Banco Master, revelam que o banqueiro mantinha em sua lista de contatos telefones de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do presidente do Banco Central e de dois governadores.
Vorcaro e o cunhado dele, Fabiano Zettel, foram presos na quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Sem Compliance. A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.
O material apreendido no aparelho do empresário foi um dos elementos considerados pela Justiça para autorizar a prisão. Entre os dados obtidos pelo Metrópoles , há um conjunto com 47 números de telefone atribuídos a ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kássio Nunes Marques.
No caso de Moraes, também aparecem contatos ligados à família do ministro. Entre eles está o número de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, cujo escritório de advocacia foi contratado por Vorcaro por cerca de R$ 129 milhões.
A agenda do banqueiro também incluía, ao menos desde o ano passado, o telefone do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além de diretores da instituição. O BC decidiu, no fim de 2025, pela liquidação do Banco Master após a descoberta de uma fraude estimada em R$ 12 bilhões.
Entre autoridades do Executivo, aparecem ainda os números dos governadores Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal, e Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro. O telefone do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski também foi registrado em 2023, período em que ele ainda ocupava o cargo no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A lista também inclui Henrique Lewandowski, advogado e filho do ex-ministro do STF. O escritório da família prestava serviços jurídicos ao Banco Master e teria recebido cerca de R$ 5 milhões.
No Congresso Nacional, constam os contatos dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). Lideranças do chamado centrão também aparecem, como os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda.