Novas mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro , extraídas de seu celular e relacionadas ao dia de sua primeira prisão, em 17 de novembro do ano passado, ampliaram a pressão de parlamentares de oposição pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso do Banco Master. Os diálogos indicariam proximidade entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em meio às investigações sobre irregularidades envolvendo a instituição financeira. As mensagens teriam sido obtidas pela Polícia Federal, que mantém o aparelho do empresário sob custódia.
Parlamentares de direita passaram a pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pela instalação de uma CPI no Congresso Nacional ou no próprio Senado. Além disso, manifestaram apoio ao ministro André Mendonça, responsável pela relatoria do caso no STF, e defenderam medidas adicionais de segurança ao magistrado e à sua família. Nos bastidores, oposicionistas também cobram posicionamento do tribunal diante de possíveis conflitos de interesse envolvendo Vorcaro e ministros da Corte, incluindo Dias Toffoli.
Segundo informações relacionadas à investigação, o Banco Master mantinha um contrato de cerca de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci. Entre as mensagens divulgadas, uma conversa atribuída ao banqueiro em um grupo chamado “A Turma” indicaria que ele pretendia incluir o portal DCM no chamado inquérito das fake news, conduzido no STF. O conteúdo das conversas gerou reações entre parlamentares oposicionistas, que apontam possíveis indícios de crimes como corrupção, advocacia administrativa e tentativa de obstrução da Justiça.
As revelações provocaram manifestações de parlamentares nas redes sociais e no Congresso. O deputado Maurício Marcon afirmou que o conteúdo das mensagens justificaria medidas mais severas contra o ministro do STF, enquanto o deputado Nikolas Ferreira publicou vídeo comentando os diálogos e defendendo providências imediatas. Paralelamente, parlamentares demonstraram preocupação com a segurança de André Mendonça, citando decisões recentes dele relacionadas às diligências da Polícia Federal sobre o caso.
O senador Eduardo Girão voltou a cobrar pessoalmente de Alcolumbre a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master, afirmando que o pedido já reúne 51 assinaturas no Senado. Entre os desdobramentos possíveis, parlamentares citam a possibilidade de Vorcaro negociar um acordo de delação premiada após ter sido preso novamente nesta semana em nova fase da investigação autorizada por Mendonça. Enquanto isso, governistas tentam relacionar o escândalo a decisões tomadas durante o governo de Jair Bolsonaro, mencionando a atuação do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e relações do banqueiro com governadores como Ibaneis Rocha e Cláudio Castro.