A Confederação Nacional da Indústria enviará ao Congresso Nacional, nesta terça-feira (14), uma carta em que volta a se posicionar contra o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal sem corte proporcional de salários. O documento, assinado pelo presidente Ricardo Alban, reforça a avaliação da entidade de que mudanças nesse modelo podem gerar efeitos negativos para a economia.

No texto, a CNI argumenta que a redução da jornada tende a diminuir a competitividade das empresas, pressionar os preços ao consumidor e fragilizar o emprego formal. A entidade defende que qualquer discussão sobre o tema esteja vinculada a ganhos de produtividade. Segundo estimativas apresentadas, o impacto médio nos preços pode chegar a 6,2%, com alta de 5,7% no setor de supermercados.

Foto: Jonas Pereira/Agência Senado
Congresso Nacional

A carta é uma síntese do “Manifesto pela Modernização da Jornada de Trabalho no Brasil”, elaborado por cerca de 800 entidades na semana passada. O documento propõe um debate mais amplo antes de qualquer implementação, incluindo a diferenciação por setores e análises técnicas que considerem efeitos como o possível aumento da informalidade. Há preocupação especial com áreas como a indústria têxtil e o setor de panificação.

A discussão acontece em meio à tramitação de uma PEC apresentada pela deputada Erika Hilton . O Palácio do Planalto afirma que pode enviar um projeto em regime de urgência, enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta, marcou a análise na Comissão de Constituição e Justiça para quarta-feira (15) e prevê a criação de uma comissão especial para acelerar a tramitação.