Um movimento grevista de servidores técnico-administrativos já atinge pelo menos 53 universidades federais e institutos federais em todo o país, com paralisações totais ou parciais em diferentes regiões, no Governo Lula . As informações foram divulgadas pelo Estadão , com base em levantamento atualizado pela Fasubra.
Entre as instituições afetadas estão a Universidade Federal do Rio de Janeiro, considerada a maior federal do país, e a Universidade Federal de São Paulo. A adesão, no entanto, não ocorre de forma uniforme: enquanto algumas universidades enfrentam paralisações mais amplas, outras registram adesão parcial, como é o caso da Universidade Federal do Rio Grande do Norte onde cerca de 10% dos servidores aderiram ao movimento. Já no Ceará as universidades federais não aderiram.
A greve está mantida nas federais de Roraima, Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Oeste do Pará, Maranhão, Piauí , Paraíba, Campina Grande, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Recôncavo da Bahia, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Grande Dourados, Mato Grosso do Sul, Uberlândia, Triângulo Mineiro, Juiz de Fora, Viçosa, Lavras, Ouro Preto, São João Del Rey, Alfenas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Fluminense, campus de Itabira da Universidade Federal de Itajubá, São Paulo, ABC, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio Grande, Pelotas, Santa Maria, Pampa, Minas Gerais, Fronteira do Sul, Alagoas, da Integração Latino-Americana e do Estado do Rio de Janeiro, além das rurais de Pernambuco, Semi-Árido e Rio de Janeiro.
Impactos nos serviços
Apesar da continuidade das aulas, os principais reflexos da greve têm sido sentidos nos serviços administrativos e de apoio. Há registros de atrasos na emissão de documentos, dificuldades no processamento de matrículas e redução no funcionamento de bibliotecas, além de restrições em laboratórios e veículos de comunicação universitários.
Em alguns casos, até serviços de saúde foram afetados. No Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, por exemplo, técnicos atuam com apenas 30% da capacidade, o que tem provocado adiamentos de consultas, exames e cirurgias não emergenciais. Situação semelhante ocorre em hospitais universitários no Paraná.
Outras instituições também enfrentam prejuízos. Na Universidade Federal de Ouro Preto, foram suspensos processos seletivos para professores e serviços de tecnologia da informação. Já na Universidade Federal Fluminense, onde a greve teve início em fevereiro, atividades administrativas e atendimento ao público seguem comprometidos, com bibliotecas majoritariamente fechadas. Na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, laboratórios funcionam parcialmente desde março.
Reivindicações da categoria
Segundo a Fasubra, a greve ocorre em razão do descumprimento de pontos acordados com o Governo Federal em 2024. Entre as principais demandas está a regulamentação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), mecanismo que permite progressão salarial com base na experiência profissional.
A categoria também reivindica a implementação de jornada de 30 horas semanais para todos os servidores, além de ajustes na estrutura de cargos e salários e maior participação nos processos internos das universidades.
A coordenadora-geral da entidade, Ivanilda Reis, afirmou ao Estadão que a principal cobrança no momento é a reabertura de uma mesa de negociação com o governo.
Posição do governo
Em resposta, o Ministério da Educação informou que os compromissos firmados já foram cumpridos ou estão em fase de implementação, conforme o trâmite administrativo. Já o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos declarou que mantém diálogo com a categoria e tem incorporado os pontos negociados.
Sobre o RSC, o governo destaca que a medida foi sancionada recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deve ser integrada ao plano de carreira ainda neste mês, dependendo de regulamentação complementar.
A gestão federal também afirma que a jornada de 30 horas já foi prevista em lei para atividades de atendimento ao público externo, embora a categoria conteste as condições estabelecidas.
Mobilização continua
A Fasubra prevê novas mobilizações, incluindo um ato em Brasília, em frente à sede do Ministério da Gestão, para pressionar pela regulamentação de pontos pendentes e pela retomada das negociações.
Enquanto isso, o MEC afirma respeitar o direito de greve e diz seguir em diálogo com os servidores, destacando que as tratativas continuam dentro dos cronogramas legais e administrativos.