O conselho de administração da Petrobras decidiu demitir o diretor de Logística, Comercialização e Mercados, Cláudio Schlosser, responsável pelas áreas de vendas e formação de preços de combustíveis. A saída ocorre em meio à pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reverter um leilão de gás de cozinha que registrou ágios de até 117% sobre o valor praticado nas refinarias.
Em nota, a estatal informou apenas que o conselho aprovou o encerramento antecipado do mandato do executivo, sem detalhar os motivos da decisão. Para o lugar de Schlosser, foi indicada a atual diretora de Transição Energética, Angélica Laureano. O executivo havia ingressado na Petrobras em 1987 e ocupava o cargo de diretor desde 2023, quando foi nomeado durante a gestão de Jean Paul Prates.
Schlosser permaneceu na função mesmo após a troca no comando da estatal, quando Magda Chambriard assumiu a presidência. Entre suas atribuições estavam a busca por mercados para a produção de petróleo e combustíveis e a definição da política de preços, área diretamente relacionada às decisões comerciais da companhia.
O episódio que antecedeu a demissão envolve um leilão de GLP equivalente a cerca de 11% do consumo mensal do país. A oferta havia sido suspensa anteriormente, diante da expectativa de uma subvenção federal para reduzir os impactos da guerra no Irã, mas foi retomada na semana passada. O resultado gerou reação do presidente Lula, que classificou a operação como irregular e afirmou que o leilão desrespeitou orientações do governo e da direção da empresa.
Após as declarações, o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis se posicionaram contra a operação, com medidas que incluíram acionamento da Secretaria Nacional do Consumidor e anúncio de fiscalização. O governo também anunciou subvenção de R$ 850 por tonelada de GLP importado, enquanto distribuidoras já repassaram os aumentos aos revendedores, segundo entidades do setor, que alertam para possíveis impactos no programa Gás do Povo.