O presidente Lula (PT) afirmou nessa quinta-feira (21) que teme uma possível investida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , sobre a Amazônia e também sobre áreas estratégicas de exploração de petróleo na chamada Margem Equatorial, localizada na bacia da foz do Rio Amazonas.
A declaração foi dada durante evento realizado no Espírito Santo, quando o petista demonstrou preocupação com a vulnerabilidade das fronteiras brasileiras e defendeu maior atenção à proteção territorial do país.
Ao comentar declarações recentes de Trump envolvendo territórios estrangeiros, Lula afirmou que o cenário exige vigilância. “Depois que o Trump disse que a Groenlândia é dele, que o Canadá é dele, que o Canal do Panamá é dele, quem afirma que ele não vai dizer que a Amazônia é dele?”, questionou o presidente.
A preocupação do governo ocorre em meio à possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que essa mudança poderia abrir brechas jurídicas para ações diretas em território brasileiro, gerando tensão diplomática e preocupações sobre soberania nacional.
Apesar disso, Lula afirmou que o tema não foi tratado em seu encontro mais recente com Trump, realizado no início deste mês. Ainda assim, o governo acompanha o assunto com cautela devido aos possíveis impactos estratégicos na relação entre Brasília e Washington.
Pressão por investimentos militares
O debate ocorre paralelamente à pressão do Ministério da Defesa por ampliação de investimentos nas Forças Armadas.
Em março, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, apresentou ao presidente um plano de R$ 800 bilhões para execução ao longo de 15 anos, com foco no fortalecimento da capacidade militar brasileira.
Segundo Múcio, o Brasil atualmente investe cerca de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa, percentual inferior à média internacional de aproximadamente 2% praticada por diversos países.
O ministro criticou o atual modelo orçamentário e afirmou que o setor militar tem recebido apenas recursos residuais, comprometendo projetos considerados estratégicos.
Entre as prioridades do plano estão investimentos na Marinha e na Aeronáutica, considerados os segmentos de maior custo devido à necessidade de aquisição de submarinos e aeronaves militares. O Exército também está contemplado na proposta apresentada ao governo federal.
Para Múcio, o fortalecimento da estrutura militar é indispensável para garantir a proteção territorial e a soberania brasileira diante de desafios geopolíticos crescentes.