O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta sexta-feira (29), a decisão do Governo dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A medida foi anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano e passa a valer oficialmente a partir de junho.
"Estou muito triste hoje com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção", declarou Lula.
Durante discurso, Lula também fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve recentemente nos Estados Unidos e defendeu junto ao Governo de Donald Trump a inclusão das facções brasileiras na lista de organizações terroristas estrangeiras.
Ao comentar o tema, o presidente afirmou que o combate ao crime organizado deve ser conduzido pelo próprio Brasil e demonstrou preocupação com possíveis interpretações de interferência externa em assuntos internos do país.
Lula declarou ainda que entregou ao presidente Donald Trump documentos relacionados a criminosos brasileiros que, segundo ele, estariam escondidos nos Estados Unidos. O petista também citou o tráfico internacional de armas e munições como um dos fatores que fortalecem o crime organizado no Brasil.
Durante a fala, o presidente afirmou que facções como o CV e o PCC promovem violência principalmente nas periferias e comunidades brasileiras, mas diferenciou os grupos de organizações terroristas internacionais frequentemente associadas a atentados globais.
O presidente também mencionou o deputado federal cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento nos atos relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, defendendo sua extradição.
A decisão dos Estados Unidos provocou reações no meio político brasileiro. Integrantes do governo federal e parlamentares da base aliada têm criticado a classificação das facções como organizações terroristas, alegando preocupação com possíveis impactos diplomáticos e questionamentos sobre a soberania nacional.