Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a discutir uma atuação mais ampla sobre decisões da Justiça Eleitoral, movimento que gerou divergências com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques . As diferenças de entendimento envolvem temas como eleições suplementares, regras para candidatos que ocupam cargos públicos e a remoção de conteúdos das redes sociais durante campanhas eleitorais. Nos bastidores, integrantes das duas cortes têm demonstrado posições distintas sobre os limites de atuação de cada tribunal.

A tensão ficou mais evidente na última semana, quando STF e TSE analisaram simultaneamente um caso relacionado às eleições suplementares de Roraima. A discussão tratava do prazo de desincompatibilização de candidatos que exercem funções públicas. No Supremo, o ministro Flávio Dino concedeu liminar estabelecendo que o afastamento deve ocorrer entre três e seis meses antes da eleição. O entendimento formou maioria na Primeira Turma com os votos dos ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.

Foto: Antônio Augusto/STF
Ministro Kassio Nunes Marques

No Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques abriu julgamento sobre o mesmo tema e obteve maioria favorável à posição da corte eleitoral. Acompanharam o presidente do TSE os ministros Dias Toffoli, André Mendonça e Antônio Carlos Ferreira. Segundo informações publicadas pela Folha de S. Paulo, aliados de Nunes Marques afirmam que o magistrado busca preservar a autonomia da Justiça Eleitoral e manter a jurisprudência do tribunal, que admite maior flexibilidade para eleições suplementares.

Outro episódio citado envolve a suspensão de uma pesquisa Atlas/Bloomberg sobre a disputa pelo governo do Rio de Janeiro. A decisão foi tomada por Kassio Nunes Marques e, de acordo com relatos de bastidores, ministros do Supremo indicaram que a medida poderia ser revista pela própria corte. O caso passou a ser apontado como mais um exemplo das diferenças de entendimento entre integrantes do STF e do TSE sobre matérias eleitorais.

As divergências também alcançam discussões sobre a remoção de conteúdos durante campanhas e o julgamento envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Enquanto Alexandre de Moraes defende uma atuação mais rigorosa contra a desinformação, Kassio Nunes Marques tem adotado posição mais restritiva quanto à intervenção judicial sobre publicações. Ministros do STF também manifestaram questionamentos sobre diferenças entre decisões e acórdãos do TSE em processos eleitorais recentes. Embora o Supremo historicamente mantenha deferência às decisões da Justiça Eleitoral, integrantes da corte admitem que o debate sobre desinformação poderá influenciar a atuação do tribunal durante o processo eleitoral de 2026.

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