A nova fase da Operação Compliance Zero , deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), colocou nomes ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) no centro das investigações sobre supostas relações entre agentes políticos e o Banco Master . Entre os alvos da ação está o senador Jaques Wagner , líder do Governo Federal no Senado e pré-candidato à reeleição na Bahia.

A investigação apura o suposto braço político do banqueiro Daniel Vorcaro e seus desdobramentos junto a autoridades e agentes públicos. De acordo com decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, Jaques Wagner é suspeito de ter recebido pagamentos, negociado a aquisição de um apartamento em Salvador e utilizado aeronaves particulares ligadas ao empresário. Os investigadores também apuram a atuação do senador em defesa de interesses do Banco Master no Congresso Nacional, por meio de proposta que ampliaria os limites de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medida que ficou conhecida como “Emenda Master”.

Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Jaques Wagner

A operação ocorre em um momento estratégico para o cenário eleitoral. Considerado um dos principais aliados do presidente Lula, Jaques Wagner integra o grupo responsável pela articulação da continuidade do projeto petista na Bahia. O estado é governado pelo PT há duas décadas e terá, nas próximas eleições, a candidatura à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues, apoiado por Lula e pelos ex-governadores Wagner e Rui Costa, que disputará uma vaga no Senado.

Além do senador, a Polícia Federal também teve como alvo o secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré , enteado de Jaques Wagner. Segundo as investigações, ele atua na gestão da BN Financeira, empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar, e teria participado de cobranças direcionadas ao empresário Augusto Lima , ex-sócio do Banco Master. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em imóveis relacionados aos investigados, incluindo a residência de Wagner, a sede do PT na Bahia e empresas vinculadas ao empresário.

As apurações também analisam negócios realizados durante o processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela rede Cesta do Povo. A empresa de Augusto Lima venceu o leilão do ativo e recebeu autorização para operar o Credcesta, programa de crédito consignado destinado a servidores públicos estaduais, aposentados e pensionistas. O contrato previa exclusividade na operação dos empréstimos por 15 anos.

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