Trinta milhões de insumos tiveram seus impostos de importação zerados pelo presidente Lula . Os dispositivos plásticos e as agulhas utilizadas na fabricação do Ozivy, medicamento divulgado pela EMS como a primeira caneta emagrecedora “100% brasileira”, vêm da China e entram no país livres de taxas alfandegárias.
Os diretores da maior farmacêutica do país conseguiram o primeiro benefício fiscal em agosto de 2025. Após garantir o alívio tributário na alfândega, o laboratório nacional obteve autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para comercializar os medicamentos Lirux e Olire. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) reduziu a alíquota-padrão de 14,4% incidente sobre o lote inicial de 10 milhões de aplicadores descartáveis pelo período de 12 meses.
Em novembro de 2025, a farmacêutica voltou a procurar o Ministério da Fazenda para ampliar o benefício fiscal. A EMS solicitou isenção tributária para uma compra internacional de aplicadores avaliada em R$ 58,2 milhões, com o objetivo de viabilizar o lançamento do Ozivy. O Comitê Executivo de Gestão da Camex não aprovou o volume total solicitado, mas concedeu imposto de importação zero para 30 milhões de unidades.
Relatórios técnicos revelam que fornecedores asiáticos dominam o mercado brasileiro de seringas especiais. A China lidera as vendas, com 35,6% dos lotes enviados aos compradores nacionais, seguida pela Índia (24,2%) e por Taiwan (13,5%). Os Estados Unidos e a Turquia dividem o restante do fornecimento. A direção da Camex preferiu não se manifestar e não respondeu aos questionamentos sobre a renúncia fiscal.
Em nota, a EMS defendeu a nacionalidade do medicamento e rebateu as críticas. A empresa afirmou que o produto tem DNA “100% brasileiro” e destacou que o Brasil ainda carece de indústrias capazes de produzir componentes plásticos de alta precisão. A farmacêutica acrescentou que possui uma fábrica própria na Sérvia para complementar o fornecimento.
Com colaboração da repórter Juliana Andrade