O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deverá ser ouvido, nesta terça-feira (28), às 14h, no inquérito que investiga crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A data foi definida pelo ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão ocorreu depois de a Polícia Federal informar à Corte que encontrou dificuldades para agendar a oitiva diretamente com os advogados do parlamentar. A investigação foi aberta em abril, a pedido do Ministério da Justiça, após Flávio publicar críticas ao presidente Lula e ao ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro na rede social X.

Foto: Youtube/ Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro

“Lula será delatado”, escreveu Flávio. “É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas.”

No relatório encaminhado ao STF, a Polícia Federal afirma que a publicação buscava relacionar o presidente Lula aos crimes mencionados. “Fica claro que o Senador afirma que a delação seria feita por Nicolas Maduro, e que, no entendimento do Senador, os crimes pelos quais o Presidente Lula seria deletado estão listados na sequência da postagem”, tratou o texto da PF.

Antes de decidir sobre um eventual oferecimento de denúncia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que Flávio Bolsonaro fosse ouvido. Alexandre de Moraes concordou com a manifestação e determinou inicialmente que a Polícia Federal realizasse a diligência no prazo de dez dias.

Ao fim desse período, porém, a PF comunicou ao Supremo que tentou marcar o depoimento desde o início do prazo, inclusive propondo a realização por videoconferência, mas não obteve retorno positivo da defesa, que solicitou mais tempo.

Sem anúncio no momento

Os advogados do senador argumentaram que não houve falta de interesse em prestar esclarecimentos. Segundo a defesa, o curto prazo estabelecido para a oitiva coincidiu com compromissos de Flávio Bolsonaro relacionados à pré-campanha presidencial, o que teria provocado conflito de agenda.

Na avaliação de Moraes, entretanto, a defesa não apresentou documentos que comprovassem a impossibilidade de realizar o depoimento dentro do prazo inicialmente fixado. Diante disso, o ministro determinou pessoalmente uma nova data para a oitiva, com o objetivo de assegurar o andamento regular das investigações. A decisão foi registrada no último dia 17.