A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (3), a Operação Exchange e prendeu investigados sancionados pelo governo dos Estados Unidos por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação ocorreu nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.

Ao todo, estão sendo cumpridos 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão. A Justiça também autorizou o bloqueio de bens que somam R$ 10,4 bilhões. Segundo a Polícia Federal, o grupo é investigado por integrar um esquema especializado na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.

Foto: Paulo Pinto/ Agência Brasil
PF prende sancionados pelos EUA por ligação com o PCC

De acordo com a corporação, as investigações apontam que os suspeitos utilizavam uma estrutura financeira sofisticada para movimentar recursos ilícitos por meio de transferências de criptoativos, transporte de valores, inclusive em dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas.

A análise preliminar da PF identificou movimentações financeiras superiores a R$ 10 bilhões. As primeiras imagens divulgadas da operação mostram grandes quantias de dinheiro em espécie e diversos aparelhos celulares apreendidos. O valor exato do dinheiro recolhido ainda não foi informado.

A Operação Exchange vinha sendo planejada desde o mês passado, mas ganhou força nesta semana após o governo dos Estados Unidos impor sanções a dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa suspeitos de atuar na lavagem de dinheiro para o PCC.

Segundo as autoridades norte-americanas, os investigados estariam envolvidos na expansão do tráfico de drogas nos Estados Unidos, além do contrabando de grandes quantias em dinheiro para cartéis e de outras atividades ilícitas destinadas a gerar recursos para a organização criminosa.

Sem anúncio no momento

Em comunicado, o governo dos Estados Unidos classificou o grupo como uma "ameaça significativa à segurança nacional", afirmando que seus integrantes lavavam dinheiro do narcotráfico e contribuíam para o fortalecimento do crime organizado no país.

Investigação aponta lavagem de mais de US$ 30 milhões

Conforme as investigações das autoridades norte-americanas, os envolvidos teriam lavado mais de US$ 30 milhões obtidos com atividades ilícitas em diversas cidades dos Estados Unidos, utilizando criptomoedas para transferir os recursos de volta ao Brasil em benefício do PCC.

Entre os principais alvos está Shimada, apontado como responsável por operações financeiras ligadas ao grupo. Segundo os Estados Unidos, ele também teria participado de outros crimes financeiros e chegou a cumprir prisão domiciliar no Brasil, em janeiro de 2025, após uma de suas empresas ser investigada por suposta lavagem de dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária envolvendo uma plataforma de apostas on-line.

Outra investigada é Stella Stefanie de Oliveira, apontada como parente e colaboradora próxima de Shimada. De acordo com as investigações, ela atuava como secretária e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, prestando apoio logístico às operações de lavagem de capitais.

As autoridades norte-americanas também citaram as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobrança e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e a empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda. como integrantes da estrutura utilizada para ocultar e movimentar recursos ilícitos.

Como consequência das sanções impostas pelos Estados Unidos, todos os bens e interesses patrimoniais dos investigados que estejam em território norte-americano ou sob controle de pessoas sujeitas à legislação dos EUA serão bloqueados e comunicados ao Departamento do Tesouro do país.