A Luxúria ou O Outro como Objeto

Há quem considere a Luxúria como o segundo pecado mais grave. Alguns adotam o Bode, animal voluptuoso, corneador, sempre ávido ao acasalamento, como sua representação simbólica, expoente do apetite sensual.

Na formatação atual, entretanto, a luxúria (ou libertinagem ou licenciosidade) é o sétimo e último dos pecados capitais, e o segundo (a gula é o primeiro) pecado da carne ou quente. Interessante notar que o espírito libertino pode ser o motor gerador de outros pecados, tal como é alertado nos Dez Mandamentos (Êxodo 20:17), na qual a licenciosidade sobre a mulher do próximo geraria a inveja e a avareza ou vice-versa: “Não cobiçaras a casa do teu próximo, não cobiçaras a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.”

Imagem: ReproduçãoDetalhe do quadro Detalhe do quadro "Os Sete Pecados Capitais" referente à luxúria, pintado por Hieronymous Bosch (1450-1516)

Entende-se que as pessoas seriam vulneráveis ao vício da luxúria em razão de dois aspectos principais: uma razão seria a completa exuberância do espírito animal, e a outra, quando os homens e mulheres se entregam à libertinagem, pelo mero tédio e descontentamento.

Nesse contexto, talvez seja essa a consequência mais desastrosa do vício da luxúria, que não satisfeita em dominar o espírito do luxurioso, tende a transformar a vítima em simples objeto do desejo, condição equivalente ao da comida para o guloso.

Nesse diapasão, a luxúria é essencialmente egoísta, posto que se o foco principal é o alívio da tensão ou a satisfação do desejo e da conquista, assim, tão logo esse objetivo tenha sido alcançado, o que normalmente vem à tona é um sentimento de aversão, e o meio pelo qual o objetivo foi alcançado é rejeitado.

Assim como no vício da gula, uma das questões principais sobre a luxúria é até onde os apelos sexuais hodiernos podem ser caracterizados como saudáveis, em outras palavras quais são os limites da luxúria?

Boa sorte a (nós) todos.
Eusébio/CE, 26 de outubro de 2012.

José Anastácio de Sousa Aguiar

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Sobre o autor

Anastácio Aguiar é Psicanalista, Hipnólogo e Terapeuta de vidas passadas e escreve a Coluna desde 2008.