A Preguiça ou o Desinteresse pelos Valores Espirituais

A preguiça (acedia), como quarto pecado capital, tende a ser confundida com outros termos como desocupação, ociosidade, letargia e indolência. Entretanto, alguns pensadores, como São Tomás de Aquino, descrevem a preguiça como a tristeza ou a falta de empenho para conseguir um bem espiritual ou divino. Santo Agostinho trilha o mesmo rumo ao afirmar que “a acídia é o tédio ou a tristeza em relação aos bens interiores e aos bens do espírito.”

Firma-se então como uma das principais características da preguiça, como pecado capital, independentemente da religião ou propensão religiosa do indivíduo, o desinteresse pelas coisas espirituais, ou, em outras palavras, pela transcendência da existência humana individual, pois, “de fato, desistir de se transcender implica desistir da própria existência humana e em estar satisfeito por pertencer ao reino animal.”

Imagem: ReproduçãoOs Sete Pecados CapitaisOs Sete Pecados Capitais" referente à preguiça, pintado por Hieronymous Bosch (1450-1516)

Detalhe do quadro “Os Sete Pecados Capitais” referente à preguiça, pintado por Hieronymous Bosch (1450-1516)

Incapaz de encontrar interesse ou satisfação pelas coisas espirituais, o indivíduo vê-se envolto nos prazeres do mundo da matéria, que após superado este interesse mundano, ou mesmo antes disso, lança-se na “incapacidade de encontrar satisfação em qualquer coisa ao seu redor.” Insatisfação esta que em sentido intenso leva o indivíduo a “desistir da vida, e ela nos leva a não encontrar nenhum prazer na vida, somente um torpor insensível e constante que não espera nenhuma novidade, nada de interessante, nada pelo qual valha a pena sair da cama.”

Boa sorte a (nós) todos.
Eusébio/CE, 24 de junho de 2012.

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Sobre o autor

Anastácio Aguiar é Psicanalista, Hipnólogo e Terapeuta de vidas passadas e escreve a Coluna desde 2008.