Dente quebrado leva à suspeita de que Fernanda Lages foi empurrada

A polícia reuniu até agora elementos técnicos que podem levar à conclusão de que a estudante de direito Fernanda Lages Veras, 19 anos, morreu em consequência de uma queda da cobertura do prédio em acabamento do Ministério Público Federal, na avenida João XXIII, mas ao mesmo tempo recolheu no local fortes sinais de que a garota pode ter sido empurrada por uma ou duas pessoas.

O sinal mais forte e intrigante foi detectado durante a autopsia ( exame médico de um cadáver ) realizada durante toda a manhã e inicio da tarde da quinta-feira, dia 25 de agosto, pelo legista Antônio Nunes Pereira, assistida pelo delegado Mamede Rodrigues, então presidente do inquérito, e parcialmente pelo promotor João Mendes Benígno Filho, que chegou inclusive a tirar duas fotografias enquanto o corpo era necropsiado. Foi constatado na ocasião que Fernanda teve um dente da arcada superior direita quebrado até a base da gengiva.

Imagem: ReproduçãoFernanda Lages(Imagem:Reprodução)Fernanda Lages
A estudante foi encontrada com as costas para o chão, o rosto para cima."Então, como esse dente quebrou...?", refletiram na ocasião legista e policiais.O legista Antônio Nunes realizou toda a investigação necessária no corpo de Fernanda, sem pressa e com muito critério: "um trabalho que nada  deixa a desejar aos mais criteriosos do país", disse a este repórter, pouco depois do exame, o promotor João Mendes Benígno.

Outro sinal

Outro sinal evidente, que deixa inclusive margem para que se suponha que a garota foi empurrada, estava exatamente no ponto de onde se supõe que ela tenha caído: rente à parede de proteção da cobertura de cerca de l metro e 10 centímetros, estavam dois tijolos sobrepostos de um lado e mais dois com a mesma acomodação, de outro.O que leva à suposição de que duas pessoas haviam se utilizado dessa improvisão para elevar sua altura do nível do piso.
Imagem: Germana Chaves / GP1Delegado Mamede Rodrigues (Imagem:Germana Chaves / GP1)Delegado Mamede Rodrigues
O arranhão escuro que estava na parede e que se supõe tenha sido deixado pela sapatilha vermelha escura de Fernanda, estava exatamente entre essas duas acomodações de tijolos, que foram dispostas da mesma forma que a garotada costuma improvisa uma "trave" para "peladas" no meio da rua.

A distância

Imagem: ReproduçãoClique para ampliarBenigno Filho(Imagem:Reprodução)Benigno Filho
Como se isto não bastasse existe ainda o fato de que o corpo de Fernanda foi encontrado cerca de 5 metros além do nível da parede.A provavel queda a afastou muito do ponto de onde teria caído, o que não é fácil de explicar levando em consideração a sua compleixão física.

Nas últimas horas os investigadores da Comissão de Combate ao Crime Organizado chamaram para prstar esclarecimentos Nairinha, uma amiga e confidente de Fernanda, com o principal objetivo de que reconhecesse dois rapazes que estavam ali como os mesmos que estiveram com Fernanda na boate Cenário no inicio da madrugada de quinta-feira, 25 de agosto.

Narinha os reconheceu mas os rapazes não são suspeitos.Um deles disse que realmente esteve com Fernanda, "trocamos dois beijinhos" e nada mais do que isso.As declarações foram convincentes mas os dois podem voltar à comissão para esclarecer novos pontos no elo que os investigadores tentam estabelecer.

Quanto à garota a polícia considera que suas declarações, agora e mais na frente, podem ser muito úteis para o esclarecimento da morte.Todo esse trabalho é feito ao mesmo tempo em que a peça mais importante é aguardada: a conclusão do laudo pericial.

OAB convencida

Enquanto se montava plantão èm frente à casa em que funciona a Comissão de Combate ao Crime Organizado, na zona sul, o presidente do inquérito, delegado Paulo Nogueira, se encontrou em outro ponto da cidade com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Piauí, Sigifroi Moreno, para conversar sobre as investigações.
Imagem: DivulgaçãoSigifroi Moreno(Imagem:Divulgação)Sigifroi Moreno
O delegado Paulo Nogueira convenceu Sigifroi Moreno sobre a seriedade e lisura das investigaçõe.

Procurei Sigifroi Moreno e lhe fiz a seguinte pergunta: como é, o delegado lhe convenceu ?
-Convenceu sim senhor.

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Sobre o autor

Bacharel em Direito, Feitosa Costa é jornalista desde 1977 e escreve a Coluna Política & Bastidores. Contato: (86) 98162 1515 / 99987 8114

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