Histórico de Santa Filomena

- atualizado

SANTA FILOMENA: EM 2009, 144 ANOS DE HISTÓRIA

1 - ASPECTOS HISTÓRICOS

O início da construção do pequeno lugarejo denominado de Santa Filomena, não foi fácil, tornou-se embaraçoso e intricado, devido ao pouco acesso que dava ao mesmo. Foram imigrantes que vieram de São Paulo, para o Piauí, sendo parte, de origem portuguesa. Ao chegar encontraram uma pequena vila de nome Parnaguá, onde acontecia desbravamento e conquistas de terras, mas ao mesmo tempo um oásis da civilização distante e isolada, sob o comando de uma família, que mais tarde se tornara a mais poderosa daquela região. Ali havia estabelecido o pernambucano Victoriano Rodrigues de Brito, que veio informado das notícias das terras que eram próprias para a criação de gado com imensas pastagens nativas. Estabelecido no lugar, com o seu trabalho tornou-se respeitado, contraindo matrimônio alguns anos depois com uma moça ilustre, cujo nome era Ana Maria Lustosa, filha do poderoso chefe político local, coronel José da Cunha Lustosa, o futuro Barão de Paraim.

Os primeiros registros sobre antepassados da família que depois veio a estabelecer-se na região, data de 1745, quando houve uma sesmaria no sítio denominado Brejo do Lucas em Parnaguá. O mesmo foi concedido ao português José da Cunha Lustosa, que havia chegado à região procedente de Santos - São Paulo, em 22 de julho de 1747. Ao mesmo foi doada, na Lagoa dos Golfos, a Fazenda Mocambo, naquele município, que tempos depois passou a ser chamada de Riacho Fresco. Ele trabalhou em suas propriedades até os seus últimos dias de vida. Ele e sua esposa Helena de Sousa Lustosa tiveram 05 filhos os quais repeliram os índios Pimenteiras, Cheréns e outros do sul do Piauí.

Por volta de 1854, procedente da Fazenda Contrato, onde residiu em terras do atual município de Monte Alegre (PI), acompanhado de alguns parentes e escravos, estabeleceu-se às margens do Riacho Tapuio à direita do Rio Parnaíba.

Alguns desbravadores já haviam percorrido estas terras. Um deles foi José Antônio Barreiras de Macedo. Acompanhado de outras pessoas teria realizado uma entrada de reconhecimento na região, chegando até as margens do Rio Taquara, porém sem deixar qualquer vestígio de sua passagem.

A geografia da região era já conhecida por fazendeiros piauienses e grupos indígenas, sendo que algumas informações indicam como sendo da tribo Cheréns, que habitavam nessa região. O avanço do bravo sertão adentro provocou o deslocamento desses silvícolas para as margens do rio Tocantins.

O Coronel Lustosa da Cunha, como lembrança, plantou ali perto uma semente de mangueira, nascendo e se desenvolvendo, tornou-se a mangueira mãe de todas as outras da sede daquela época.

No decorrer dos anos, outros parentes e amigos chegaram, aderindo aos esforços de colonização dessa região. Veio também, o cidadão Camilo Vieira, que era um homem muito rico e que havia comprado uma moça na Paraíba, cujo nome era Esmeralda, depois daquela atitude, a sua família revoltou-se contra ele e, resolveu situar para o mesmo uma fazenda, pondo o nome de Contrariado, significando a expressão dos seus sentimentos. Em frente, ficava a ilha da Esmeralda, por ter sido ela, a primeira mulher a visitá-la, conhecida hoje por Ilha do Santo Antonio.

Ali, tiveram uma filha, o seu nome era Mikaela, mais tarde, chegando na região, o jovem de nome Francisco Luis de Freitas, que também veio à procura de terras para a criação de gado, e conhecendo Mikaela logo contraiu matrimônio com a mesma. Em desavença com sua família, resolveu situar uma fazenda do outro lado do Rio Parnaíba, pondo o nome de Barcelona, onde originou por ele, a Vila Santa Vitória, atual Alto Parnaíba (MA).

Sendo chefe político do lugar, o Coronel, estende seus domínios por toda a região, ampliando suas fazendas de criação de gado, onde situava o mesmo que trouxera de sua terra de origem.

Com a Guerra do Paraguai (1864 – 1870), a maior da América latina, que colocou o Brasil, Argentina e Uruguai em luta contra o mesmo. Motivo este dar aquele país uma saída direta para o mar. Isto era necessário, para que o país pudesse dar escoamento às suas mercadorias através do oceano atlântico. Para isto, teria que ocupar uma boa parte do nosso território, após o aprisionamento do navio Marquês de Olinda, no rio Paraná, houve a declaração de guerra, onde os paraguaios invadiram Mato Grosso e tentaram invadir o Rio Grande do Sul, atravessando sem permissão, o território argentino. Fato que ocasionou a tríplice aliança entre os três países para a quão renhida batalha. E, atendendo a chamado para alistamento em corpo de voluntários, o Coronel piauiense organizou no distante e humilde lugarejo, um grupo de 234 deles, contando com o concurso de dois filhos, alguns sobrinhos e escravos.

Outros voluntários da Comarca de Parnaguá se juntaram ao grupo no dia 22 de junho de 1865, no local que ficou conhecido por Remanso do Choro, a jusante da ilha do Santo Antonio. Os voluntários despediram-se de suas famílias e desceram rio abaixo, num total de 14 balsas rumo a Parnaíba de onde partiu para o Maranhão e embarcando ali no vapor Tocantins até o Rio de Janeiro, onde desembarcaram no dia 09 de setembro do corrente ano. Pode-se imaginar as imensas dificuldades que encontraram em tão longa marcha até o cenário da guerra. Por onde passavam eram recebidos festivamente.

Em Pernambuco relata a Cronologia Histórica da província então governada por seu irmão e Marquês de Paranaguá, registrou a passagem do grupo, ao qual havia se engajado, ainda em Teresina, a moça Jovita Alves Feitosa, impedida pelo ministro da Guerra, de seguir para os campos de batalha frustrando-lhe os seus sonhos.

Aquele corpo comandado pelo distinto Sr. Tenente Coronel José Lustosa da Cunha, foi organizado pelo mesmo na vila de Santa Filomena, que fica aproximadamente a 600 Km. de Oeiras, antiga capital provincial, que era governada pelo visconde Manoel de Sousa Martins, e tinha pouco mais de mil habitantes com sete municípios apenas, sendo o governador do Estado, o major João José da Cunha Fidier.

O rico criador de gado, José Lustosa da Cunha, penetrou nessa região em busca de terras para criatório. Essa expansão era conseqüência dos domínios políticos de sua poderosa e ilustre família. Vislumbrado com o potencial dessas terras, às margens desse majestoso Rio, um belo e aprazível lugar dá início a construção das primeiras casas. Segundo a tradição, o nome desse lugar foi dado pelo próprio Lustosa da Cunha.

Este adquiriu uma imagem de Santa Filomena na Bahia, para padroeira, e em homenagem a ela, pôs o nome de Filomena em sua primeira filha nascida nessa localidade por ter sido devoto da Santa.

Nasceu então na casa grande, a segunda filha do Barão de Santa Filomena, em uma manhã de outubro de 1854. Houve grande regozijo naquele solar e nas casas vizinhas.

Existem duas versões sobre a origem do município de Santa Filomena. Pereira da Costa, em sua célebre Cronologia Histórica do Piauí, relata o seguinte sobre o assunto: "A vila de Santa Filomena é uma das mais modernas povoações do Piauí, pois a sua origem remonta apenas ao ano de 1854".

Descoberto neste ano o local em que está situada, José Antonio Barreiros de Macedo convidou diversos parentes e a outras pessoas para fazerem uma entrada de reconhecimento no local, que até então era habitado por índios da nação cheréns, e, ali fixando-se, começou a levantar algumas casas e fundou uma capela.

Tal desenvolvimento foi tendo o lugar, dada a influência de diversos moradores, que dois anos depois já era um povoado próspero. Foi criada uma paróquia e logo depois tem o predicamento de Vila.

A outra versão dá conta de que, no fim do Século XVIII e princípios do Século XIX, houve várias incursões ao território do atual município de Santa Filomena, sendo a última feita pelo patriota José Antonio Barreiros de Macedo, que teria transposto a Serra do Riachuelo, vindo até às margens do Rio Taquara, percorrendo outras partes do município, sem, contudo, deixar vestígios de fundação de qualquer estabelecimento pecuário ou de outra natureza.

Anos depois, o coronel José Lustosa da Cunha (mais tarde Barão de Santa Filomena) que então residia na Fazenda Contrato - no município de Gilbués - partida dali, já no Século XIX, acompanhado da mulher, parentes e escravos e seguindo o roteiro de José Antonio Barreiros de Macedo.

Estabeleceu-se no local, onde hoje é a sede do município, fundando ali a localidade, que começou pela casa-grande e uma capela, iniciando assim a povoação. Com o passar dos meses, outros moradores foram chegando e construindo suas casas, sendo que em pouco tempo já apresentava características de próspero povoado.

Igreja matriz: atualmente, Santuário Nacional de Santa Filomena

Em 1856 foi instituída a Paróquia de Santa Filomena e elevado à categoria de Distrito, por força da Lei Provincial nº 413, de 09 de janeiro de 1856.

Criou-se o município sob a denominação atual pela Resolução Provincial nº 586, de 25 de agosto de 1865, assinada pelo governador da Província, Franklin Américo de Meneses Dória (1864 - 1866). Tal resolução foi suprimida pela Lei nº 763, de 05 de setembro de 1871, sendo restaurado mais tarde, com território desmembrado do município de Parnaguá, pela Resolução Provincial nº 811, de 03 de agosto de 1873, e reinstalado em 26 de dezembro do mesmo ano, pelo Dr. José Lustosa de Sousa, juiz municipal de Parnaguá, e cuja Comarca ficou pertencendo até o advento da resolução provincial nº 850, de 18 de julho de 1874, que criou a Comarca.

A Comarca de Santa Filomena sofreu várias mudanças, a saber:

- Extinta em 1892;
- Restaurada em 1893;
- Novamente extinta em 1896;
- Restabelecida em 1914;
- Outra vez extinta em 1922.

Em 1925 a Comarca foi restaurada novamente, sendo integrada pelos municípios de Corrente, Gilbués e Parnaguá. Finalmente, pela Lei nº 96, de 21 de junho de 1937, reduziu a comarca de Santa Filomena ao Distrito de igual nome, desanexando as demais situações que perduram até hoje.

Santa Filomena figura nos anais da História-Pátria por sua participação na guerra do Paraguai. A esse respeito, noticia Pereira da Costa, em sua Cronologia Histórica do Estado do Piauí: “1865 – Agosto 10 – embarca em Teresina o 2º Corpo de Voluntários da Pátria”, sob o comando do Tenente Coronel José Lustosa da Cunha, com destino a campanha do Paraguai.

O corpo seguiu para Parnaíba, de onde partiu para o Maranhão e embarcando ali no Vapor Tocantins, desembarcou no Rio de Janeiro em 9 de setembro. Nesse Corpo seguiu como 2º Sargento a heroína e distinta Jovita Alves Feitosa, impedida pelo Ministro da Guerra, de seguir para os campos de batalha, frustrando-lhes os seus sonhos.

Em sua derrota para o sul tocou o Tocantins no Porto de Recife em 01 de setembro; e noticiando o “Diário de Pernambuco” do dia seguinte a passagem do corpo de voluntários piauienses, disse o seguinte:

“... este Corpo comandado pelo distinto senhor Coronel José Lustosa da Cunha, foi organizado pelo mesmo na Vila de Santa Filomena, que demora cerca de 200 léguas distante do litoral e umas 100 da capital da Província”.

“... sem embargo de ser uma Vila de recente fundação, e por conseguinte ainda pouco populosa, contribuiu essa localidade para o desforço da Pátria ultrajada com 234 voluntários, que aí seguem reunidos a outros até a comarca de Parnaguá, em número de 404, que foram o efetivo deste brilhoso corpo composto em seu todo de uma mocidade válida e de porte Marcial”.

Segundo a tradição local, o nome do município foi dado pelo Coronel José Lustosa da Cunha, mais tarde Barão de Santa Filomena – o fundador. Este adquiriu na Bahia uma imagem de Santa Filomena para padroeira do lugar e, em homenagem à Santa, pôs o nome de Filomena em sua filha nascida na localidade.

O seu atual quadro administrativo e judiciário se constituiu de Comarca de 1ª Entrância, município, distrito judiciário e distrito administrativo.

As pessoas nascidas no município são denominadas “filomenenses”.

2 - GENEALOGIA DO BARÃO DE SANTA FILOMENA (FAMÍLIA LUSTOSA):

Pai: José da Cunha Lustosa Filho;
Mãe: Inácia Antônia dos Reis Lustosa;
Avô: José da Cunha Lustosa (capitão-mor Portugal);
Avó: Helena de Sousa Lustosa;
Irmãos: José da Cunha Lustosa Neto (Barão do Paraim), João da Cunha Lustosa (Marquês de Paranaguá), Francisco da Cunha Lustosa (fazendeiro e chefe político), Benedita da Cunha Lustosa Nogueira, Brígida da Cunha Lustosa, Ana Joaquina Lustosa de Brito, Maria Laurinda da Cunha Lustosa e Maria Ursula da Cunha Lustosa (filha natural legitimada).

Primeira esposa do Barão de Santa Filomena: Isidora Maria de Freitas Lustosa;
Filhos: João Lustosa da Cunha; Cícero Lustosa da Cunha; Caio Lustosa da Cunha; Maria Lustosa da Cunha; Filomena Lustosa da Cunha; Leopoldo Lustosa da Cunha; José Lustosa da Cunha (Zuca); Alexandre Lustosa da Cunha (Xanduca); Jesuíno Lustosa da Cunha.

Segunda esposa do Barão de Santa Filomena: Lovina Maria de Serqueira;
Seus filhos: Emília Lustosa (Milucha); Inácia Lustosa (casada com Alfredo Lustosa); Filomena Lustosa (Filucha); Argemira Lustosa; Fenelon Lustosa e José Alípio.

Netos filhos de Filomena: Brasília (Buluca); Jesuíno Lustosa da Cunha; José Carlos; Antônio Carlos; Carlinhos; Helena; Sanchinha; Luiza (a Luizinha); Leopoldo Lustosa da Cunha.
Filhos de Leopoldo: Américo; José Américo; Francisco (Capucho); Anfilófio; Caio; Moacir; Luiz (Luica); Leopoldo Filho; Batista; Filomena; Ana Francisca; Conceição; Graziela; Iracema e Ifigênia (filhas naturais).

José Lustosa da Cunha Filho (zuca) com Cândida Lustosa de Freitas;
Seus filhos: Marciano; João; Francisco (Fita); Antônio e Cícero; Candido; Izidora e Filomena.

Alexandre Lustosa da Cunha (Xanduca);
Seus filhos: Isidora; Isabel e Brígida.

A primeira esposa de Cícero Filho, era sua tia e irmã da sua 2ª esposa; chamava-se Argemira Lustosa, que proveniente do seu 1º parto, veio a falecer. A segunda esposa chamava-se Emília (Milucha).

Inácia – casada com Alfredo seu sobrinho;
Seus filhos: Cândido (Candinho); Argemira; Luiza (Lula) e Caio Alencar.

Filomena (Filucha) e João Dourado;
Seus filhos: José Dourado (Douradinho); Almir; Otávio; Maria das Mercês.

Fenelon Lustosa casado com Brasília (Milucha);
Seus filhos: Ety e José Alípio.

Cícero Lustosa da Cunha casou-se com Otávia;
Seus filhos: Otaviano; Constância; Maria Angélica e Cícero Lustosa da Cunha Filho.

Filhos de Caio, que era filho do Barão de Santa Filomena:
Marcelino; Alfredo e Antônio Marcelino.

Emília (Miluchinha) 2ª esposa de Cícero Filho;
Seus filhos: José Amorim; Otávia; Argemira; Maria Rosinda; Fenelon Lustosa do Amorim; Lovina; Maria Angélica; Luiza Emília (Luizinha); Jesuíno e João Lustosa.

3 – GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO

Sobre governo e administração do Município de Santa Filomena, anteriores a 1947, não houve informações por escrito. Houve apenas informações básicas, sem localização de datas, por pessoas mais idosas da época sendo o principal entrevistado o senhor Antonio Lustosa Nogueira, com 89 anos de idade, porém ainda lúcido, e que foi intendente durante 8 (oito) anos de 1922 a 1930.

Eis a relação:

• Antonio Lustosa Nogueira;
• João Dourado;
• Tenente Wanderley Francisco das Chagas Batista;
• João Rosa Paes Landim;
• Tenente Gumercindo Saraiva Ribeiro;
• Clóvis Cunha;
• Salvador Monteiro de Freitas;
• Enéas Maia;
• Esdras Avelino (último prefeito nomeado).

Prefeitos Eleitos:

• João Lustosa da Cunha (1947-1951);
• Antônio Luís Avelino (1951-1955);
• Carlos Lustosa do Amaral (Carreta – 1955-1959);
• Gumercindo Saraiva Ribeiro (1959-1963);
• Antônio Luís Avelino (1963-1967);
• Caio Lustosa de Alencar (1967-1971);
• Estevan Robson Dias (Rubinho – 1971-1973);
• Caio Lustosa de Alencar (1973-1977);
• Antônio Luís Avelino, com mandato até 1980, se estendendo até 1982, de acordo com a prorrogação dos mandatos. Seu vice-prefeito era o senhor Filomeno Lustosa Nogueira, falecido no segundo ano de legislatura;
• Almérico Lustosa de Alencar (1982-1988);
• Quirino Lustosa Avelino (1989-1992);
• Almérico Lustosa de Alencar (1992-1996);
• João Lustosa Avelino (1997-2000);
• Ernani de Paiva Maia (2001-2004);
• Ernani de Paiva Maia (2005-2008);
• Esdras Avelino Filho (2009 ...)

Prefeitura: hoje em ruínas, foi construída em meados do século XX

BIOGRAFIA DO PRIMEIRO PREFEITO INTENDENTE DO MUNICÍPIO

Antônio Lustosa Nogueira, nasceu em 20 de abril de 1892, às quatro horas da manhã na vila de Santa Filomena, nasceu em sua própria residência. Sendo filho do agropecuarista, capitão João Damasceno Nogueira e Izidora Lustosa Nogueira, tendo como avós paternos o capitão Francisco de Assis Nogueira e Joana de Castro Castelo Branco e, maternos, o capitão Antônio Lustosa da Cunha e Brígida Lustosa Nogueira, todos latifundiários e residentes da antiga vila.

Eram os seus padrinhos: o barão José Lustosa da Cunha e Leopoldo Lustosa da Cunha, testemunhado por Alexandre Maurício e Ângelo de Castro Rocha, primeiro comerciante e segundo funcionário público da vila. Compareceu o seu pai, no Cartório do Escrivão do Registro Civil, o Sr. Eliseu de Pina Castelo Branco, para fazer o seu registro, no dia 27 de fevereiro de 1896.

Na sua juventude, teve tudo o que quis, mas tarde casou-se com uma jovem da vila Vitória, atual Alto Parnaíba, de nome Maria Frutuosa Brito, tiveram uma prole de seis filhos, sendo cinco homens e uma mulher, a saber:

• Samuel Lustosa Nogueira;
• Filomeno Lustosa Nogueira;
• Benvindo Lustosa Nogueira;
• Mussolini Lustosa Nogueira;
• Damasceno Lustosa Nogueira;
• Salvadora Lustosa Nogueira.

Foi um dos maiores agropecuaristas da história de Santa Filomena, sendo também o primeiro prefeito da vila (intendente). Governou por oito anos, no período de 1922 a 1930. Em 1944, estabeleceu-se em Teresina, com casa própria, contendo uma vacaria, para complementar as despesas dos filhos Benvindo e Mussolini, que por lá estudavam. Não dando certo, retornou a este município e ficou levando boiadas por terra e por balsas de buriti, chegando a levar mais de mil cabeças de bois de uma só vez rumo aos frigoríficos de Floriano, Campo Maior e Teresina. Certamente, grande parte daquela fortuna era usada na boemia com as meninas teresinenses.

Mais tarde, com a posse da velhice e da solidão, passou-se a morar com sua única filha “Salvadora” até o seu último dia de vida que foi o 12 de setembro de 1982.

4 - ASPECTOS FÍSICOS

4.1 - LOCALIZAÇÃO

Coordenadas Geográficas da sede municipal: 9º06"17" de latitude sul e 46º55"16" de longitude oeste; A sede está a uma altitude de 280m; Já o Cerrado apresenta altitudes variáveis entre 480m e 650m;

Área Total: 5.395 km2, ou 2,14% em relação à área do Estado;

Distância da Capital: 561 km em linha reta; 925 km via Gilbués(PI); e 864 km via Balsas(MA) / Floriano(PI); o município está localizado na microrregião do Alto Parnaíba Piauiense;

Limites: norte - Ribeiro Gonçalves; sul - Gilbués; leste - Baixa Grande do Ribeiro e Gilbués; oeste - Estado do Maranhão (Alto Parnaíba e Tasso Fragoso).

4.2 - SOLO

Kimberlito Redondão: talvez, a cratera de um vulcão adormecido

Os solos deste município estão representados pelos seguintes: SOLOS COM HORIZONTE B LATOSSÓLICO, constituindo as associações LVd8 e LVd10; SOLOS HORIZONTE B TEXTURAL, presentes na associação PV4; SOLOS ARENOSOS QUARTZOSOS ocorrem na associação Aqd2; e os SOLOS CONCRECIONÁRIOS TROPICAIS, inclusos na associação SCT1.

4.3 - VEGETAÇÃO

Parque, Campo, Cerrado e Cerradão. O município de Santa Filomena dispõe de mais de 250.000 hectares de Cerrado, distribuídos pelas serras: da Fortaleza, do Riachão, das Novas, das Guaribas, do Ouro e do Livramento.

4.4 - HIDROGRAFIA

Cais do Rio Parnaíba: o cartão de visita da cidade

Principais cursos d"água: rio Parnaíba, rio Taquara, rio Riozinho, rio Uruçuí Preto, rio Uruçuí Vermelho, rio Mateiro, riacho Aldeia, riacho Sucuruju, riacho Riachão, riacho dos Angicos, riacho Várzea Grande, brejo Recreio, brejo Salto e mais outros 23 riachos, brejos e córregos, todos perenes.

4.5 - CLIMA

O clima é tropical subúmido quente, com duração do período seco de 5 meses (maio a setembro). A Temperatura máxima é de 35ºC e a mínima de 20ºC. O período chuvoso acontece de outubro a abril, ocorrendo a maior incidência de chuvas entre os meses de novembro a março. Dezembro é o mês que apresenta o maior índice, enquanto julho é o mês mais seco do ano. De 1984 a 2008 verificou-se a média pluviométrica histórica anual de 1.533,4 mm.

5 - ASPECTOS DEMOGRÁFICOS

Em 1996 a população urbana de Santa Filomena era de 2.554 habitantes. Por outro lado, 3.176 indivíduos residiam na zona rural, totalizando 5.730 habitantes.

Segundo o IBGE, em 2007 a população de Santa Filomena era de 5.999 habitantes. Pelos dados, conclui-se que num período de onze anos o crescimento populacional foi de 4,69 por cento. Em Santa Filomena há mais homens do que mulheres: a proporção é de 96,22 mulheres para cada 100 homens.

Possui uma densidade populacional de 1,11 habitante por quilômetro quadrado.

6 - ASPECTOS ECONÔMICOS

Desde a década de 1990 o agronegócio tem sido o forte da economia do município, impulsionado principalmente pelas culturas do arroz de sequeiro, do algodão, do milho e da soja, destacando-se ainda outras culturas de subsistência, como feijão e mandioca.

Por outro lado, o município de Santa Filomena é pioneiro no cultivo de algodão herbáceo no cerrado piauiense.

Na safra 2007/2008, a área total cultivada no cerrado foi de 27.303 hectares, assim distribuída:

ALGODÃO HERBÁCEO : 1.400 hectares
ARROZ DE SEQUEIRO : 7.012 hectares
MILHO : 2.976 hectares
SOJA : 15.915 hectares

A pecuária também tem sua importância na economia do município. O rebanho mais significativo é o bovino (de corte), com 13.504 cabeças, correspondendo a 0,81% do gado bovídeo encontrado no Estado, que é de 1.667.816 cabeças.

Os dados se referem ao mês de dezembro de 2008 e foram divulgados pela ADAPI – Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí.

7 - ASPECTOS SOCIAIS

É visível o crescimento econômico verificado no município, a partir dos anos 1980, quando se iniciou a exploração agrícola no cerrado. Entretanto, se percebe que o modelo de desenvolvimento econômico instalado na região é predatório, pois tende a comprometer os recursos naturais. Além disso, o uso intenso de agrotóxicos e de adubos químicos, bem como da mecanização, contribuíram para a expansão das lavouras com monocultura, produzindo a redução do nível de emprego rural, o aumento da concentração de posse da terra e a aceleração do êxodo rural de agricultores familiares, elevando o índice populacional na periferia da cidade e acentuando a desigualdade social.

Em função disso, Santa Filomena apresenta baixo IDH-M – Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, de acordo com levantamento realizado pelo PNUD no ano de 2000.

Apesar de ser a 26ª economia do Piauí na arrecadação de impostos, aparece em 55º lugar entre os 224 municípios do Estado, e em 3345º lugar no ranking nacional.

Com IDH-M de 0.618, a esperança de vida ao nascer é de 66,3 anos e a expectativa de vida final é de 69 anos. A taxa de alfabetização de habitantes é de 65 por cento, com taxa bruta de freqüência escolar ao redor de setenta e três por cento.

A renda ‘per capita’ mensal do município é de R$ 71,76 (setenta e um reais e setenta e seis centavos).

Fontes de Informações:

ROTEIRO CRONOLÓGICO DO ESTADO DO PIAUÍ (Wilson Carvalho Gonçalves); Prefeitura Municipal de Santa Filomena; Câmara Municipal de Santa Filomena; Manoel Cícero de Sousa; Lúcia de Fátima Maia de Sousa; Ana Célia Pereira de Oliveira; Dulfe Lustosa Nogueira; Odilon Nunes; Lindolfo do Amaral Almeida; IBGE; PNUD; Casa da Cultura (Corrente-PI); Nilton Neres Bezerra; Fenelon Lustosa do Amorim; José Alves Ferreira (Zé de Carreta); Jackson da Cunha Nogueira (Corrente-PI); Raimundo Nonato Nogueira Duailibe; Carmem Espinar Gual Avelino; ADAPI e EMATER-PI.

Pesquisa, Diagramação e Digitação:

JOSÉ BONIFÁCIO BEZERRA
Santa Filomena – Piauí
(89) 3569-1125
[email protected]

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