O dólar registra queda firme nesta terça-feira (23) após os discursos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, realizados na manhã de hoje.

Foi a primeira vez que os dois líderes compartilharam o mesmo ambiente desde que Trump aplicou sanções ao Brasil, em maio. Após seu discurso, o republicano afirmou que se encontrará com Lula na próxima semana.

Os mercados financeiros ajustam agora as expectativas em relação às tensões tarifárias, políticas e diplomáticas entre os dois países. Às 13h, a moeda norte-americana recuava 0,88%, cotada a R$ 5,290, e chegou a atingir a mínima do dia a R$ 5,279. Já a Bolsa de Valores teve forte alta de 1,19%, atingindo 146.846 pontos e renovando a máxima histórica intradia.

Ao final de seu discurso, marcado por críticas às Nações Unidas, Trump confirmou que encontrou Lula brevemente antes de subir ao palco, destacando a "excelente química" entre ambos. “Eu só faço negócios com pessoas de quem gosto. E eu gostei dele, e ele de mim. Por pelo menos 30 segundos tivemos uma química excelente, isso é um bom sinal”, afirmou o americano, sugerindo que o encontro da próxima semana representa um aceno para a desescalada das tensões.

Segundo especialistas, a sinalização contribuiu para a valorização do real e o recorde da Bolsa. “Abre-se caminho para o que não havia acontecido até agora: Trump sentando à mesa para conversar com o Brasil. Pode haver flexibilidade nas tarifas de 50% e aumento da lista de isenção. Ele disse pouco, mas é uma sinalização muito importante”, afirmou Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos.

O discurso de Lula precedeu o de Trump e foi acompanhado de perto pelo presidente americano. Durante sua fala, o petista defendeu a legitimidade do julgamento de Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão, e afirmou que “nossa democracia e soberania são inegociáveis”.

Sem anúncio no momento

As falas de Lula eram esperadas pelo mercado, que vinha demonstrando cautela diante da possibilidade de novas sanções dos EUA contra autoridades brasileiras, como as aplicadas recentemente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes .

Antes dos discursos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad , afirmou que as sobretaxas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros, especialmente commodities, representam um “tiro no pé”, pois encarecem produtos para o consumidor americano. Ele também classificou a ação como “ingerência indevida” e destacou que o momento é propício para o Brasil avançar em mudanças estruturais.

Sobre a política monetária, Haddad comentou a taxa de juros, mantida em 15% pelo Copom, afirmando que existe espaço para redução, posição compartilhada pelo mercado. A ata da última reunião do Copom reforça a intenção do Banco Central de manter a taxa estável até observar sinais consistentes de estabilização da inflação.

No mercado cambial, a diferença entre a taxa de juros brasileira e a americana torna a estratégia de carry trade mais atrativa, aumentando a entrada de dólares no país e valorizando o real.