A proposta de reduzir a jornada semanal de 44 para 36 horas — impulsionada pelo movimento que defende o fim da escala 6×1 — pode gerar impacto relevante na economia. Projeções do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indicam que, caso não haja ganho de produtividade, o Produto Interno Bruto (PIB) poderia encolher 6,2%, considerando o trabalho como fator central de produção.
Os estudos também apontam aumento expressivo no custo da mão de obra. Para trabalhadores que hoje cumprem o limite constitucional de 44 horas semanais, o valor da hora trabalhada subiria cerca de 22%. Na média dos empregos formais, o avanço estimado é de 17,6%. Já o impacto sobre os custos operacionais das empresas variaria conforme o grau de dependência de mão de obra de cada setor.
Centrais sindicais defendem o fim da escala 6×1 sob o argumento de que o modelo impõe sobrecarga excessiva aos trabalhadores. Segundo essas entidades, eventuais perdas econômicas poderiam ser compensadas por maior consumo, estímulos à inovação e aumento de eficiência produtiva.
Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli mostram que a produtividade por hora trabalhada no Brasil cresceu, em média, apenas 0,5% ao ano entre 1981 e 2023. A agropecuária apresentou avanço anual de 6%, enquanto a indústria teve retração média de 0,3% — sendo de -0,9% na indústria de transformação. O setor de serviços, que responde por aproximadamente 70% das horas trabalhadas no país, permaneceu praticamente estagnado no período. No agregado da economia, a renda do trabalho tem aumentado acima do ritmo da produtividade, o que pressiona os custos das empresas sem expansão proporcional da produção.
No campo político, o presidente da Câmara, Hugo Motta, encaminhou no último dia 9 uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala 6×1 à Comissão de Constituição e Justiça. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, avalia tratar do tema por meio de projeto de lei, alternativa considerada mais rápida do que a tramitação de uma emenda constitucional.
De acordo com as simulações do FGV-Ibre, a possível retração do PIB estaria diretamente ligada à ausência de avanços na produtividade — fator visto como decisivo, especialmente em um cenário em que, com exceção da agropecuária, os ganhos produtivos permanecem praticamente estagnados há décadas.