Cerca de 30 sites de mercado preditivo foram retirados do ar no Brasil após ação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Entre as plataformas atingidas está a Polymarket, considerada a maior do setor.
A medida ocorre após mudança de entendimento do Conselho Monetário Nacional, baseada em nota técnica do Ministério da Fazenda. Com isso, previsões relacionadas a eventos como eleições, premiações, reality shows, lançamentos de filmes e campeonatos de esportes eletrônicos passaram a ser proibidas em plataformas de investimento.
A decisão envolve também o Banco Central do Brasil e já provoca reação de setores ligados à liberdade de mercado, como o partido Partido Novo. Há ainda questionamentos sobre a constitucionalidade da medida.
Entenda o mercado preditivo
Nesse tipo de plataforma, o usuário investe em previsões sobre eventos futuros, em um modelo semelhante ao de negociação de ativos. Os contratos possuem um valor fixo caso o evento ocorra e valor zerado caso não se concretize, além de uma cotação que varia conforme a expectativa do mercado.
Na prática, o investidor pode aplicar recursos apostando, por exemplo, no resultado de uma premiação internacional. Caso a previsão se confirme, há retorno financeiro proporcional ao número de contratos adquiridos; caso contrário, o valor investido é perdido.
Diferença para apostas e opções
Diferentemente das casas de apostas, conhecidas como “bets”, o mercado preditivo permite negociação entre usuários, com preços definidos pela oferta e demanda. Já nas apostas tradicionais, o modelo é fechado e o lucro depende diretamente dos resultados desfavoráveis aos jogadores.
Apesar de lembrar o mercado de opções, há diferenças importantes. Nas opções, o investidor adquire o direito de comprar ou vender um ativo por um preço pré-definido, pagando um prêmio por isso. No mercado preditivo, o foco está no resultado de eventos, e não em ativos financeiros, o que simplifica a dinâmica e aproxima o modelo de uma aposta.