O presidente do São Paulo Futebol Clube , Julio Casares , está afastado do comando do clube após o Conselho Deliberativo aprovar, nessa sexta-feira (16), o processo de impeachment contra o dirigente. A reunião ocorreu no estádio do Morumbis e marcou mais um capítulo da crise política e administrativa vivida pelo Tricolor.
Ao todo, 188 dos 235 conselheiros votaram a favor da abertura do processo, diante de acusações que envolvem má gestão orçamentária, venda de atletas abaixo do valor de mercado e uso irregular de camarotes do estádio.
Conselho aprova impeachment por ampla maioria
A decisão do Conselho Deliberativo não resulta, por enquanto, na destituição definitiva de Julio Casares. Com a aprovação do impeachment, o processo segue agora para a assembleia geral dos sócios do clube, que será convocada pelo presidente do Conselho, Olten Ayres.
Para que o afastamento seja confirmado de forma definitiva, é necessária apenas maioria simples entre os associados aptos a votar. Até a realização da assembleia, o vice-presidente Harry Massis Junior assume interinamente a presidência do São Paulo.
Torcedores protestam no Morumbis durante votação
Enquanto a reunião acontecia no Salão Nobre do estádio, torcedores se manifestaram do lado de fora do Morumbis. Faixas e gritos de protesto foram direcionados ao dirigente, com palavras de ordem como “fora Casares” e “muito respeito com a camisa tricolor”.
O ato contou ainda com carro de som e dois caixões simbólicos, um deles com a foto de Julio Casares. De acordo com a Polícia Militar, equipes dos batalhões de Choque, Trânsito, Territorial e do Regimento de Cavalaria foram deslocadas para garantir a segurança no local.
As manifestações contra o presidente já vinham sendo registradas desde a noite de quinta-feira (15), durante a vitória do São Paulo sobre o São Bernardo, pela segunda rodada do Campeonato Paulista. Na ocasião, Casares foi alvo de protestos nas arquibancadas. Gritos ofensivos foram entoados por torcedores, além da exibição de faixas pedindo a saída do presidente e a aprovação do impeachment ao fim da partida.
Bastidores conturbados e acusações contra a gestão
O pedido de impeachment foi protocolado por um grupo de conselheiros do São Paulo e teve como principal base a denúncia de exploração clandestina de um camarote do estádio do Morumbis.
Conforme consta no requerimento, os diretores Mara Casares (ex-esposa de Julio Casares) e Douglas Schwartzmann admitiram envolvimento em um esquema de uso irregular de um camarote durante o show da cantora Shakira, realizado em fevereiro deste ano. Douglas Schwartzmann, que ocupa o cargo de diretor adjunto licenciado das categorias de base do clube, também reconheceu ter obtido vantagem financeira com a prática.
Paralelamente, desde o fim de 2025, a gestão comandada por Julio Casares passou a ser alvo de investigações e denúncias com repercussão na esfera policial. A acusação de maior destaque aponta a realização de depósitos em espécie que somam R$ 1,5 milhão na conta corrente do presidente, efetuados entre janeiro de 2023 e maio de 2025.
Em nota, a defesa de Julio Casares, representada pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, informou que a origem e o lastro das movimentações financeiras “serão devidamente detalhados e esclarecidos no curso das investigações, com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais”, destacando ainda que não teve acesso à íntegra do inquérito policial.