O ex-jogador de basquete Oscar Schmidt foi cremado na noite desta sexta-feira (17), em São Paulo, em uma cerimônia reservada à família e amigos próximos. O “Mão Santa” foi velado vestindo uma camisa da Seleção Brasileira de basquete e um agasalho do Comitê Olímpico do Brasil, em uma homenagem simbólica à sua trajetória no esporte. O desejo havia sido manifestado pelo próprio ex-atleta e foi atendido pelos familiares. O local da cremação não foi divulgado.
Segundo a Prefeitura de Santana de Parnaíba, onde ele faleceu, Oscar passou mal em casa na manhã de sexta-feira e foi socorrido pelo serviço de resgate já em parada cardiorrespiratória. Ele chegou ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana pouco antes das 14h, mas já sem vida.
O ex-jogador lutava contra um câncer no cérebro desde 2011, tendo passado por cirurgias e diversos tratamentos ao longo dos anos. Em 2022, optou por interromper os cuidados médicos. Além disso, em 2014, também havia sido diagnosticado com arritmia cardíaca.
Cerimônia privada
A cerimônia de despedida ocorreu de forma privada, reunindo apenas familiares e pessoas próximas, entre elas a esposa, Maria Cristina, e os filhos Filipe e Stephanie. Em nota divulgada nas redes sociais, a família agradeceu as manifestações de carinho e pediu respeito neste momento de luto.
“A família agradece, com carinho, todas as mensagens de apoio, força e solidariedade. A despedida foi realizada de forma discreta, apenas entre parentes próximos. Pedimos respeito e privacidade neste momento. Obrigado pela compreensão”, diz o comunicado.
Carreira
Natural de Natal (RN), Oscar teve os primeiros passos no esporte em Brasília, onde começou a construir a trajetória que o transformaria em lenda. Sua carreira profissional ganhou destaque no Palmeiras basquete, com a conquista do Campeonato Brasileiro de 1977. Pouco depois, brilhou no Esporte Clube Sírio, onde alcançou projeção internacional ao vencer o Mundial Interclubes de 1979, após uma final histórica contra o Bosna Sarajevo.
Enquanto muitos jogadores buscavam a NBA, Oscar optou por construir uma carreira sólida na Europa, especialmente na Itália. Atuando por clubes como o Juvecaserta Basket e o Pavia basquete, tornou-se uma referência absoluta, com médias impressionantes que frequentemente ultrapassavam os 40 pontos por jogo.
O momento mais emblemático de sua carreira ocorreu nos Jogos Pan-Americanos de 1987, no chamado “Milagre de Indianápolis”. Na final, a Seleção Brasileira de Basquete venceu os Estados Unidos masculino de basquete por 120 a 115, após uma virada histórica. Oscar foi o grande destaque da partida, com 46 pontos, liderando o Brasil na quebra da invencibilidade dos norte-americanos em casa.
Dono de marcas impressionantes, Oscar Schmidt é reconhecido como o maior pontuador da história do basquete, com mais de 49 mil pontos ao longo da carreira. Pela Seleção Brasileira, disputou cinco edições dos Jogos Olímpicos, entre Moscou-1980 e Atlanta-1996, sendo o cestinha em três delas.
Draftado pelo New Jersey Nets em 1984, recusou atuar na liga norte-americana para seguir defendendo a Seleção Brasileira, já que, à época, jogadores da NBA não podiam participar de competições internacionais. Para ele, vestir a camisa do Brasil era prioridade absoluta.
Oscar encerrou a carreira em 2003, aos 45 anos, atuando pelo Flamengo basquete. Uma década depois, em 2013, foi eternizado no Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, nos Estados Unidos.
Mesmo após deixar as quadras, seguiu como referência. Ao enfrentar um câncer no cérebro, demonstrou a mesma determinação que marcou sua carreira e passou a atuar como palestrante motivacional, reforçando a ideia de que o talento era resultado de disciplina — a famosa “mão treinada”.