Israel e Hamas enfrentaram nesta quarta-feira (15) a primeira crise desde o início do acordo de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump . O impasse ocorreu após a entrega, pelo Hamas, dos restos mortais de um morador de Gaza, no momento em que familiares de reféns aguardavam a devolução dos corpos de seus entes queridos. A situação gerou tensão entre as partes, já que o governo israelense havia sinalizado no dia anterior que a demora na liberação dos reféns poderia ser interpretada como violação do acordo. O episódio acontece na primeira fase do plano, que garantiu o retorno de 20 sobreviventes mantidos em cativeiro e um cessar-fogo temporário.
Apesar da instabilidade neste estágio inicial, os pontos mais complexos do plano ainda estão por vir. A proposta americana prevê desarmar o Hamas, desmilitarizar a Faixa de Gaza, reconstruir o território e criar uma força internacional para garantir a segurança do enclave palestino. Essas etapas, que compõem a segunda fase do plano, ainda não têm detalhes definidos nem aceitação plena por parte dos envolvidos. Segundo Trump, essa nova etapa das negociações já foi iniciada, com a participação de mediadores internacionais no Oriente Médio.
Um dos pontos centrais da proposta é a criação de um governo de transição em Gaza, que seria administrado por um comitê palestino tecnocrático sem participação do Hamas. Esse grupo contaria com especialistas palestinos e estrangeiros e seria supervisionado por um “Conselho de Paz”, um órgão internacional de transição liderado pelo próprio Trump. O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair foi cogitado para integrar o processo. O plano ainda sugere o envio de uma “Força Internacional de Estabilização (ISF)” para treinar forças policiais palestinas aprovadas, substituindo a presença das Forças de Defesa de Israel no território.
O Hamas aceitou parcialmente a ideia de um governo de transição, mas não há definição sobre como seria a implementação prática dessas medidas. A criação da força internacional e a retirada gradual das tropas israelenses são pontos que ainda geram resistência. Israel, até o momento, não confirmou se aceita integralmente os termos propostos por Trump para essa segunda fase. O grupo palestino, por sua vez, demonstrou abertura limitada, sobretudo em questões ligadas à segurança.
O desarmamento do Hamas é considerado o principal impasse do plano. A proposta prevê que os combatentes entreguem suas armas e recebam anistia, mas isso confronta diretamente um dos princípios fundamentais do grupo, que defende a luta armada. Trump afirmou nesta terça-feira (14) que, caso o Hamas não cumpra o acordo, será obrigado a fazê-lo “de forma rápida e à força”. Ele também disse que recebeu garantias do “mais alto nível” do Hamas de que o compromisso de desarmamento será cumprido. Vídeos divulgados após o cessar-fogo, no entanto, mostram milicianos armados nas ruas de Gaza, indicando resistência ao cumprimento dessa cláusula.