O Comitê de Supervisão e Reforma da Câmara dos Estados Unidos divulgou nesta terça-feira (28) um relatório que acusa a administração do ex-presidente Joe Biden de esconder um suposto “declínio cognitivo” e permitir que atos presidenciais fossem assinados por meio do sistema automático conhecido como “autopen”, sem garantia de autorização direta do então chefe de Estado.

O documento, intitulado “The Biden Autopen Presidency: Decline, Delusion, and Deception in the White House”, foi apresentado pelo deputado James Comer, presidente do comitê e integrante do Partido Republicano.

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
Joe Biden

Segundo o relatório, assessores próximos de Biden teriam “abusado” do mecanismo de assinatura automática e se aproveitado de uma “cadeia de comando frágil” para validar ações executivas sem comprovar que o presidente havia aprovado pessoalmente cada medida. Para os autores, isso configuraria um “encobrimento” da real condição do democrata durante o governo.

Entre os casos citados estão perdões presidenciais concedidos nas últimas horas do mandato, inclusive a pessoas ligadas à família Biden. De acordo com depoimentos reproduzidos no documento, a autorização para esses atos teria ocorrido apenas de forma verbal, sem comprovação documental – o que, segundo o comitê, poderia levar à anulação dos atos.

O relatório também acusa o médico pessoal de Biden, Kevin O’Connor, de se recusar a submeter o então presidente a testes cognitivos, além de invocar o direito de não responder a perguntas do Congresso sobre o assunto. A Junta Médica de Washington foi acionada para investigar possíveis “relatórios enganosos” sobre a saúde mental do ex-mandatário.

Além disso, auxiliares de alto escalão, como o ex-chefe de gabinete Jeff Zients e a conselheira Anita Dunn, são citados como responsáveis por “administrar rigidamente” a rotina do presidente e limitar o acesso até mesmo de líderes democratas. Outros ex-funcionários da Casa Branca teriam se negado a responder perguntas do Congresso ao invocar a Quinta Emenda da Constituição.

Sem anúncio no momento

O comitê classificou o episódio como “um dos maiores escândalos da história dos Estados Unidos” e recomendou que o Departamento de Justiça avalie medidas legais para anular ações que, segundo os investigados, não foram diretamente tomadas por Biden.

A Casa Branca e aliados democratas ainda não responderam oficialmente ao relatório, que é visto como parte de um forte embate político entre Republicanos e o ex-presidente.