O presidente da Colômbia, Gustavo Petro , anunciou nesta terça-feira (11) a suspensão imediata do compartilhamento de informações de inteligência com os Estados Unidos. A medida, segundo o mandatário, permanecerá em vigor enquanto o governo norte-americano mantiver ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas nas águas do Caribe e do Pacífico.
Em mensagem publicada na rede X (antigo Twitter), Petro ordenou que todas as forças de segurança colombianas interrompam qualquer tipo de comunicação ou colaboração com agências americanas. O presidente justificou a decisão afirmando que “a luta contra as drogas deve estar subordinada aos direitos humanos do povo caribenho”, em referência às recentes operações militares dos EUA que, de acordo com ele, resultaram na morte de civis.
Nos últimos meses, o líder colombiano intensificou as críticas à estratégia antidrogas de Washington, especialmente contra o presidente americano Donald Trump, a quem acusa de “assassinatos” e “crimes de guerra” por sua política de destruição de embarcações. Desde setembro, mais de 20 ataques a lanchas foram registrados, com cerca de 70 mortos em ações classificadas pelos EUA como operações contra o narcotráfico. O episódio ampliou o desgaste nas relações entre Washington, Bogotá e Caracas, governos que Trump tem acusado de conivência com o tráfico internacional.
A decisão de Petro segue movimento semelhante ao do Reino Unido, que recentemente também suspendeu o repasse de informações de inteligência aos Estados Unidos sobre embarcações suspeitas no Caribe. O governo britânico, segundo a CNN, justificou a medida alegando que não queria ser “cúmplice” dos ataques americanos.