O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , autorizou novas medidas que ampliam a atuação da CIA dentro da Venezuela, segundo informou o jornal The New York Times nesta segunda-feira (18). As ações, cujos detalhes não foram divulgados, seriam voltadas a “preparar o terreno” para possíveis operações futuras no país sul-americano, em um momento de crescente tensão entre Washington e Caracas. Embora ainda não tenha permitido o envio de tropas de combate, Trump já deslocou forças marítimas para a região do Caribe, gesto interpretado como sinal de uma escalada estratégica.

De acordo com o jornal, setores da CIA trabalham em diferentes frentes de ação, que podem envolver sabotagens contra estruturas do governo venezuelano ou operações cibernéticas. As movimentações ocorrem pouco mais de um mês após Trump declarar publicamente que estava disposto a autorizar operações secretas no país. O presidente norte-americano não comentou o tema até agora, mantendo suas manifestações recentes concentradas em assuntos de política interna por meio da rede social Truth.

Foto: Divulgação/Governo dos Estados Unidos
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro, as tensões entre os dois países vêm aumentando rapidamente. Neste mês, o governo norte-americano suspendeu qualquer diálogo diplomático com Caracas, mantendo o distanciamento que já marcara o primeiro mandato republicano. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos intensificaram acusações contra o presidente Nicolás Maduro, associando-o ao narcotráfico e vinculando sua gestão a grupos criminosos como a gangue Tren de Aragua, classificada como organização terrorista por Washington em fevereiro.

A presença militar norte-americana na América Latina também contribuiu para o agravamento da crise. Os EUA enviaram o maior porta-aviões de sua frota para a região, após ataques realizados no Caribe que deixaram mais de 70 mortos, sob a justificativa de combater o tráfico de drogas. A tensão gerou incidentes diretos entre as Forças Armadas dos dois países: em 4 de setembro, aeronaves venezuelanas sobrevoaram um navio da Marinha norte-americana em águas internacionais, episódio que os EUA classificaram como “altamente provocativo”. Poucos dias depois, autoridades venezuelanas denunciaram que um barco de pesca nacional foi retido por oito horas por um navio norte-americano em águas disputadas.

Paralelamente às disputas diplomáticas e militares, os EUA intensificaram medidas individuais contra Maduro. A agência antidrogas DEA elevou de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à sua prisão, acusando o líder venezuelano de envolvimento em “narcoterrorismo” e na importação de cocaína. Maduro negou todas as acusações e afirmou que nenhum país tem direito de intervir na soberania da Venezuela. Em resposta ao cenário de pressão externa, o presidente anunciou, em 29 de setembro, um decreto de Estado de Emergência que amplia poderes de segurança diante de risco de agressão estrangeira, embora os detalhes do documento permaneçam sob sigilo.

Sem anúncio no momento