O presidente da Colômbia, Gustavo Petro , afirmou que os Estados Unidos bombardearam uma “fábrica” que seria usada para produzir cocaína na Venezuela. Petro não forneceu provas nem deu detalhes ou informações sobre quando o ataque teria ocorrido.

Por meio de uma publicação na rede social X (antigo Twitter), o líder colombiano comentou o suposto ataque à “fábrica” de cocaína. “Sabemos que Trump bombardeou uma fábrica em Maracaibo; tememos que lá misturem pasta de coca para produzir cocaína e se aproveitem da localização de Maracaibo à beira-mar”, afirmou Petro na rede social.

Petro encerrou a publicação demonstrando descontentamento com as recentes ações de Donald Trump. “Que vergonha é o governo dos EUA. Minha última conversa telefônica com Maduro foi sobre como atacar conjuntamente o ELN na fronteira. Sou um homem livre e sempre serei, e não me importo com ganância”, escreveu o presidente da Colômbia.

Até o momento, o presidente Donald Trump confirmou apenas a realização de um ataque contra um porto em território venezuelano. De acordo com o presidente norte-americano, o local seria utilizado para o carregamento de drogas.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Gustavo Petro, presidente da Colômbia

Tensões entre EUA e Venezuela

A tensão entre Estados Unidos e Venezuela começou a aumentar em agosto, quando o governo de Donald Trump elevou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão do ditador Nicolás Maduro . Paralelamente, os EUA enviaram aeronaves, veículos, milhares de soldados e um grupo de ataque de porta-aviões das Forças Armadas para o Caribe, sob a premissa de combate ao narcotráfico.

Sem anúncio no momento

As operações estadunidenses incluem diversos ataques contra embarcações tanto no Caribe quanto no Pacífico, que supostamente estariam transportando drogas. No entanto, foram levantados questionamentos sobre a legalidade dessas ações. Além dos ataques contra barcos, os EUA também pressionam o regime de Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, acusado pela Casa Branca de manter relação com o narcotráfico e com o Cartel de Los Soles.

Trump e Maduro tiveram uma conversa telefônica no final de novembro, poucos dias antes de os Estados Unidos classificarem o líder venezuelano como integrante de uma organização terrorista estrangeira. Maduro teria recebido um ultimato para deixar o poder e o país, mas não teria cumprido a exigência.

Em outra ação que aumentou a tensão entre os dois países, os Estados Unidos apreenderam um petroleiro próximo à Venezuela, medida classificada como “roubo descarado” e “um ato de pirataria internacional” pelo regime de Maduro.

Após essas ações, Trump anunciou um “bloqueio total” contra petroleiros venezuelanos sancionados e afirmou que não deixará “ninguém passar sem o devido direito”.

Leia publicação completa do presidente da Colômbia, Gustavo Petro:

“Descobrimos que muitas embarcações atacadas com mísseis, como ocorre nas apreensões que realizamos na Colômbia ou, com nossa ajuda fora da Colômbia, não transportavam cocaína, mas cannabis.

É um problema paradoxal: nos EUA, é legal em muitos lugares. E o Congresso colombiano não deveria ter permitido que fosse ilegal; a proposta foi perdida por um único voto, um voto que custou a vida de muitos barqueiros humildes e, agora, deixou de existir qualquer consumidor americano ou global. Trump está completamente errado. A cocaína está sendo contrabandeada para a Europa por submarino e contêiner. O que está sendo alvo de perseguição ilegítima é a cannabis.

O ELN em Catatumbo e a 33ª Frente precisam decidir se vão competir pelo controle da cocaína ou pela paz. Apenas 5% da cocaína produzida na Colômbia passa por ali.

Sabemos que Trump bombardeou uma fábrica em Maracaibo; tememos que lá misturem pasta de coca para produzir cocaína e se aproveitem da localização de Maracaibo à beira-mar.

É simplesmente o ELN. O ELN, por meio de sua violência constante e ideologia dogmática, está possibilitando a invasão da Venezuela.

O exército colombiano agora precisa adotar uma abordagem "à moda americana" em Catatumbo e substituir as plantações de coca. Hoje, devido à expansão do cultivo de folha de coca na América Latina, aliada a uma demanda que cresce descontroladamente na Europa, o preço da cocaína despencou. Enormes armazéns na África armazenam dezenas de toneladas de cocaína, e o preço da folha de coca na Colômbia entrou em colapso; cannabis e ouro ilícito agora são mais lucrativos que a cocaína.

Chegou a hora de substituir, o estado precisa aproveitar a oportunidade.

Trump foi levado a acreditar que sou um testa de ferro de Maduro, daí suas recentes referências a mim. Eu pensava que a inteligência americana fosse mais profissional, ou que, mesmo que seja, o presidente dos EUA não a ouve e se cerca de indivíduos gananciosos da extrema-direita que não buscam a verdade.

Alguns dias após o Ano Novo, relatarei as particularidades da minha relação com o movimento progressista de Chávez e minhas frustrações com o que restou de seu governo após sua morte.

Não sei se Maduro desviou ilegalmente riqueza da Venezuela; não há provas de tráfico de drogas da parte dele em nosso país. Os generais que confirmamos estarem envolvidos com o tráfico de cocaína estavam engajados em atos de sedição com o apoio do governo colombiano, buscando um golpe de Estado em Caracas.

Mas investigadores profissionais dos EUA já deveriam ter verificado que nem eu nem meus parentes próximos temos bens fora do país ou na Colômbia, além da minha casa, pela qual ainda estou em dívida.

Até o New York Times publicou um artigo dizendo que não encontraram nenhuma evidência contra mim que justifique me manter na lista da OFAC.

Que vergonha é o governo dos EUA. Minha última conversa telefônica com Maduro foi sobre como atacar conjuntamente o ELN na fronteira. Sou um homem livre e sempre serei, e não me importo com ganância.”