O Governo Federal estuda a criação de um sistema brasileiro de geolocalização por satélite, com o objetivo de reduzir a atual dependência da tecnologia dos Estados Unidos. Hoje, grande parte dos serviços de georreferenciamento utilizados no país, como aviação e controle de semáforos, depende do sistema GPS norte-americano.
A iniciativa foi formalizada por meio de resolução publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 1º de julho, oito dias antes do anúncio de um pacote de tarifas por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, que elevou as tensões diplomáticas entre os dois países.
O documento determina a formação de um grupo técnico responsável por estudar a viabilidade do desenvolvimento de um sistema nacional de Posição, Navegação e Tempo (PNT). Entre as missões do grupo estão:
Elaborar estudos e propor estratégias de desenvolvimento tecnológico para a implantação de um sistema brasileiro de PNT;
Diagnosticar vulnerabilidades relacionadas à dependência de sistemas estrangeiros de posicionamento;
Avaliar desafios tecnológicos, capacidades laboratoriais e industriais necessárias para o projeto;
Apresentar possibilidades de fomento ao desenvolvimento do sistema brasileiro de PNT.
O grupo será coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e contará com representantes de diversos órgãos e entidades, incluindo:
Ministério da Defesa
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
Ministério das Comunicações
Gabinete de Segurança Institucional da Presidência
Comando da Aeronáutica
Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)
Agência Espacial Brasileira (AEB)
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)
Telebras
Laboratório Nacional de Astrofísica
Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)
Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE)
Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil
A iniciativa ganha relevância diante de especulações sobre a possibilidade de os EUA limitarem ou bloquearem o acesso do Brasil ao GPS, em meio ao agravamento das relações bilaterais.