A China autorizou uma medida, que entrou em vigor na última quarta-feira (30) e terá validade de cinco anos, permitindo que 183 empresas brasileiras exportem café para o país. Essa concessão ocorre no vácuo deixado pelos Estados Unidos, após o presidente Donald Trump anunciar, na semana anterior, uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. As exportações de café e carne foram afetadas pela tarifa máxima, ficando de fora de uma lista de quase 700 itens que receberam isenção parcial, com alíquota reduzida de 10%.
Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino do café brasileiro, com a compra de cerca de 8 milhões de sacas, o que representa quase um quarto das exportações totais do país. Já a China ocupa apenas o décimo lugar entre os maiores compradores, adquirindo 529.709 sacas no mesmo período — volume 6,2 vezes menor do que o embarcado para os EUA, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Ao contrário dos Estados Unidos, na China o chá ainda é a bebida mais consumida no dia a dia. Em junho, o Brasil exportou 56 mil sacas de café para o mercado chinês, contra 440 mil sacas enviadas aos EUA.
No entanto, há sinais de que esse cenário começa a mudar. O interesse pelo café vem crescendo, impulsionado pela expansão de redes globais, como a Starbucks, e de marcas locais, como a Luckin Coffee, que popularizam o consumo urbano. Entre 2020 e 2024, as importações líquidas de café pela China aumentaram em 13 mil toneladas.
Puxada principalmente pela soja e pelo minério de ferro, a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Ao abrir seu mercado para o café brasileiro, o país asiático oferece uma rota alternativa para os exportadores afetados pela guinada protecionista dos Estados Unidos.