Em discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta segunda-feira (29), o vice-ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Kim Son Gyong, afirmou que o regime comunista “nunca” renunciará ao seu arsenal nuclear.
Segundo Kim, as armas atômicas são consideradas “lei de Estado, política nacional e poder soberano”, além de um direito à existência do país. “Jamais abriremos mão da [opção] nuclear. Em nenhuma circunstância abandonaremos esta posição”, declarou.
O diplomata norte-coreano disse que a segurança na Península Coreana enfrenta “sérios desafios como nunca antes”, apontando os Estados Unidos e seus aliados como responsáveis pelo aumento das tensões. Ele criticou as alianças militares entre EUA, Coreia do Sul e Japão, que, segundo ele, estariam se transformando em um “bloco militar mais ofensivo e agressivo”. Kim também acusou Washington de intensificar exercícios militares na região e de reforçar a corrida armamentista.
Em sua fala, o vice-ministro também atacou a política econômica dos Estados Unidos. Ele afirmou que a “guerra tarifária indiscriminada contra o mundo inteiro mergulhou a economia mundial no pântano da estagnação e da instabilidade”, em referência às medidas adotadas durante a gestão do ex-presidente Donald Trump.
Kim ainda disse que até mesmo a Agenda 2030 da ONU, que busca combater desigualdades e erradicar a pobreza, estaria sendo “negada por não atender aos interesses de um único país”.
De acordo com estimativas da Campanha Internacional para Abolir Armas Nucleares (Ican), a Coreia do Norte possui atualmente cerca de 50 ogivas nucleares.