Desde a intensificação da pressão política e militar dos Estados Unidos contra o governo de Nicolás Maduro , autoridades venezuelanas passaram a deter cidadãos americanos em diferentes regiões do país. A informação foi publicada pelo The New York Times, com base no relato de uma autoridade venezuelana que falou sob condição de anonimato. Segundo o jornal, Washington avalia declarar ao menos parte desses presos como pessoas detidas ilegalmente, sob o entendimento de que o governo de Caracas estaria utilizando cidadãos dos EUA como instrumento em negociações bilaterais, em meio a uma escalada diplomática e de segurança que também afeta diretamente as relações consulares entre os dois países.

De acordo com a publicação, as detenções ocorreram após os Estados Unidos ativarem uma ampla mobilização militar no Caribe, oficialmente voltada ao combate ao narcotráfico com origem na Colômbia e na Venezuela. Paralelamente, autoridades americanas passaram a exigir publicamente a saída de Nicolás Maduro e de aliados próximos, acusados de envolvimento com o chamado Cartel dos Sóis, organização apontada por Washington como responsável por operações internacionais de tráfico de drogas. A movimentação incluiu ações navais e aéreas na região do Caribe, realizadas em coordenação com parceiros internacionais.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Nicolás Maduro

A autoridade ouvida pelo jornal afirmou que parte dos detidos responde a acusações criminais que os Estados Unidos reconhecem como formalmente válidas, enquanto outros casos permanecem sob análise para possível enquadramento como detenções ilegais. O governo do presidente Donald Trump considera declarar ao menos dois prisioneiros nessa condição. Entre os presos, há três pessoas com dupla nacionalidade, venezuelana e americana, além de dois cidadãos exclusivamente americanos, sem vínculos conhecidos com a Venezuela, o que ampliou a atenção diplomática sobre os episódios.

Um dos nomes citados como possível alvo dessa classificação é James Luckey-Lange, nova-iorquino de 28 anos, que viajava pela Venezuela em dezembro quando foi detido pelas autoridades locais. As circunstâncias da prisão não foram detalhadas publicamente, mas o caso passou a integrar discussões internas do governo americano sobre a situação consular no país sul-americano. Segundo as informações disponíveis, os contatos diplomáticos ocorrem de forma indireta, diante da limitação de canais formais entre Washington e Caracas.

No mesmo período, os Estados Unidos conduziram a operação denominada “Lança do Sul”, durante a qual afirmam ter destruído cerca de 40 embarcações consideradas suspeitas e causado a morte de aproximadamente 110 ocupantes, além de ordenar a apreensão de petroleiros sancionados que transportavam petróleo venezuelano. As medidas tiveram como objetivo restringir a capacidade econômica do governo de Caracas. Pouco depois de retornar à Casa Branca, há quase um ano, Donald Trump negociou com autoridades venezuelanas a libertação de 17 pessoas que possuíam cidadania americana ou residência permanente nos Estados Unidos.

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