O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , decidiu retirar o convite feito ao primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, para integrar o chamado Conselho da Paz. O anúncio foi feito por meio de uma carta publicada na rede social Truth Social, após um embate público entre os dois líderes durante o Fórum Econômico Mundial de Davos. Na mensagem, Trump comunicou formalmente que o convite anteriormente estendido ao Canadá estava cancelado, encerrando a possibilidade de participação do país no grupo recém-criado.
A decisão ocorreu depois de discursos conflitantes no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Sem citar Trump diretamente, Carney criticou a postura do presidente americano no cenário internacional e afirmou que a ordem global baseada em regras estaria em declínio. O premiê canadense declarou que, em um ambiente de rivalidade entre grandes potências, países de médio porte precisariam agir de forma coordenada para não ficarem à margem das decisões globais, discurso que recebeu aplausos no evento.
Em resposta às declarações, Trump classificou o primeiro-ministro do Canadá como “ingrato” e afirmou que o país vizinho depende economicamente dos Estados Unidos. O presidente também reagiu a críticas relacionadas a comentários anteriores nos quais mencionou a possibilidade de o Canadá se tornar o 51º estado americano. Aliados do republicano, entre eles Steve Bannon, têm defendido publicamente a anexação do território canadense, citando a existência de recursos naturais estratégicos, como minerais e terras raras.
Pouco antes do discurso de Carney, Trump publicou nas redes sociais uma imagem que mostrava um mapa com bandeiras dos Estados Unidos sobrepostas aos territórios do Canadá, da Groenlândia e da Venezuela. A publicação gerou repercussão entre participantes do fórum e observadores internacionais, ampliando a atenção sobre o tom adotado pelo presidente americano em relação a países aliados e regiões consideradas estratégicas para interesses econômicos e geopolíticos de Washington.
Lançado oficialmente nesta quinta-feira, 22, em Davos, o Conselho da Paz já recebeu a adesão de mais de 20 países, entre eles Arábia Saudita, Argentina e Israel. O Canadá e o Brasil estavam entre os convidados que ainda não haviam respondido, enquanto França e Reino Unido recusaram a proposta. Algumas personalidades também foram convidadas, como o papa Papa Leão XIV; o Vaticano informou que a proposta está em análise. Segundo Trump, o grupo pretende promover a estabilidade global, e a adesão permanente exige o pagamento de uma taxa de US$ 1 bilhão, sem detalhamento público sobre a destinação dos recursos.