O Tribunal Superior de Hong Kong condenou, nessa segunda-feira (9), o empresário e opositor do Partido Comunista Chinês (PCC), Jimmy Lai, de 78 anos, a 20 anos de prisão com base na Lei de Segurança Nacional. Ele foi considerado culpado por conspiração com forças estrangeiras e por difusão de publicações classificadas como insurgentes. A legislação prevê até prisão perpétua, mas os juízes fixaram a pena em duas décadas de reclusão.

Fundador do jornal Apple Daily, Jimmy Lai está preso desde agosto de 2020 e foi submetido a um julgamento sem júri que durou cerca de dois anos. A condenação foi confirmada pela Justiça em dezembro do ano passado e o processo passou a ser considerado um dos mais simbólicos desde a entrada em vigor da Lei de Segurança Nacional chinesa, em 2020.

Foto: HouseForeignGOP / X
Jimmy Lai

O Apple Daily encerrou as atividades em 2021 após operações policiais e bloqueios financeiros. Segundo a acusação, o empresário teria utilizado a estrutura do jornal para defender sanções internacionais contra a China e a Região Administrativa Especial de Hong Kong. Seis ex-diretores também responderam ao processo, firmaram acordos com a acusação e receberam penas entre seis e dez anos de prisão.

A leitura da sentença ocorreu no Tribunal de West Kowloon e contou com a presença de familiares, diplomatas e ex-funcionários do jornal. A polícia montou um forte esquema de segurança no entorno, com revistas e apreensão de objetos ligados aos protestos pró-democracia de 2019.

A condenação provocou reação internacional. Governos e entidades ligadas à liberdade de imprensa pediram a libertação de Lai por razões humanitárias e criticaram o processo. O governo chinês, por sua vez, afirmou que a punição é necessária para proteger a segurança nacional e acusou países ocidentais de interferência em assuntos internos.

Sem anúncio no momento