Após editar uma ordem executiva que ameaça impor tarifas adicionais a países que exportem petróleo bruto para Cuba, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , afirmou nesta segunda-feira (2) que o México pretende suspender o envio do produto à ilha. Até o momento, o governo mexicano não confirmou oficialmente a informação.
Falando a jornalistas na Casa Branca, Trump descreveu Cuba como “um país falido” e disse que a iniciativa tem como objetivo enfrentar o que classifica como uma “ameaça excepcional” à segurança nacional dos EUA.
Sob embargo econômico norte-americano há mais de seis décadas, Cuba vive a mais grave crise desde o colapso da União Soviética, em 1991. Nos últimos anos, o petróleo fornecido pela Venezuela foi crucial para sustentar a economia cubana, mas esse apoio foi interrompido após a prisão do então ditador Nicolás Maduro, aprofundando as dificuldades. Um eventual bloqueio do petróleo mexicano tende a agravar ainda mais a escassez e os apagões que já afetam o cotidiano da população.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou temer impactos negativos nas relações comerciais com os Estados Unidos, principal parceiro do país, e disse não querer expor o México ao risco de sanções. Ainda assim, alertou para a possibilidade de uma “crise humanitária de grandes proporções” em Cuba e informou que o governo mexicano enviará ajuda humanitária ainda nesta semana, mesmo considerando as implicações do decreto norte-americano.
Trump também declarou que Washington mantém conversas com autoridades cubanas. “Acho que estamos muito perto [de um acordo]”, disse, sem dar detalhes.
Por sua vez, o governo cubano acusa os Estados Unidos de tentar “estrangular” sua economia. O vice-ministro das Relações Exteriores afirmou que a população enfrenta um período especialmente duro, que exige “criatividade, estoicismo e austeridade”, e ressaltou que Havana já se preparava para possíveis medidas do governo Trump, dizendo que a situação “não foi uma surpresa”.