Saif al-Islam Kadafi, filho do ex-líder líbio Muammar Kadafi, foi morto dentro de sua casa em Zintan, no noroeste da Líbia , nesta terça-feira (3). A informação foi confirmada por integrantes de seu círculo político e por agências de notícias nacionais e internacionais.
Aos 53 anos, Saif não exercia funções oficiais em um país marcado pela instabilidade desde a queda do regime de Kadafi, em 2011, quando a Líbia passou a ser disputada por governos rivais e grupos armados. Libertado da prisão em 2016, ele passou a viver de forma reservada em Zintan, acompanhado apenas por dois funcionários, em uma residência isolada nas montanhas com vista para o Deserto de Hamada.
Por questões de segurança, mantinha uma rotina discreta e limitava o contato a poucas pessoas, medida que não foi suficiente para evitar o ataque. Há versões divergentes sobre o local da morte: enquanto sua irmã afirmou a uma emissora local que ele morreu na fronteira com a Argélia, membros de sua equipe sustentam que o atentado ocorreu dentro de sua própria residência. De acordo com o advogado francês de Saif, Marcel Ceccaldi, quatro homens armados teriam participado da execução. À agência AFP, o defensor afirmou que os autores do crime ainda não foram identificados.
Ceccaldi relatou ainda que não mantinha contato com o cliente havia cerca de três semanas e que soube, dias antes do ataque, por um funcionário da casa, que havia preocupações relacionadas à segurança. Segundo ele, o chefe da tribo Kadafi chegou a oferecer reforço na proteção, proposta que Saif optou por recusar.
Em anos anteriores, Saif al-Islam chegou a ser visto como possível sucessor do pai. Durante esse período, adotou um discurso favorável a reformas políticas e se apresentou como um rosto mais moderado do regime.
Formado em Londres, onde adquiriu fluência em inglês, ele atuou como intermediário em negociações internacionais sensíveis, incluindo tratativas sobre o abandono de armas de destruição em massa pela Líbia. Apesar de defender publicamente a criação de uma Constituição e o respeito aos direitos humanos, sua postura mudou durante os levantes de 2011, quando passou a apoiar e atuar na repressão violenta aos protestos contra o governo.
Por essa atuação, Saif al-Islam foi alvo de mandado do Tribunal Penal Internacional, que o acusou de crimes contra a humanidade. Ele foi capturado por rebeldes no sul da Líbia em 2011, condenado à morte após julgamento sumário em 2015, mas posteriormente beneficiado por uma anistia.